PEQUIM E WASHINGTON EM PAPÉIS INVERTIDOS

A China no comando

A ofensiva comercial conduzida pelos Estados Unidos não representa uma ruptura de fato em sua política em relação à China. No entanto, desta vez Pequim decidiu reagir. Em um revés difícil de conceber há trinta anos, é agora o Partido Comunista Chinês (PCC) – e não a Casa Branca – que se ergue em defesa do multilateralismo e do livre comércio

No coração da “tempestade Trump”, que se abateu sobre o mundo desde a posse do 47º presidente norte-americano, os líderes do Velho Continente às vezes parecem passageiros de cruzeiro incomodados com o balanço do mar, as mãos firmemente agarradas à mureta. O Partido Comunista Chinês (PCC) pretende, porém, assumir outro papel: o de um capitão experiente, com o olhar voltado para o horizonte. Em 2 de abril de 2025, o presidente Donald Trump invocou uma “ameaça à segurança nacional” para contornar o Congresso dos Estados Unidos e impor barreiras alfandegárias norte-americanas à quase totalidade dos países do planeta. Sem precedentes, sua amplitude surpreendeu o mundo. Não o PCC, garante um editorial do Diário do Povo (6 abr. 2025): “Embora os mercados internacionais considerem que a agressão tarifária dos Estados Unidos excedeu as expectativas, o Comitê Central do Partido já havia antecipado esse novo ciclo de medidas”. A alíquota então aplicada…

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