A conquista das mulheres sobre o poder monetário
A história econômica também é escrita pelos vencedores. As elites financeiras que celebram, desde o início do século, a nomeação de mulheres para a frente dos bancos centrais norte-americano, europeu e russo ignoram que essa situação não era excepcional na Bulgária e na Alemanha Oriental logo após a Segunda Guerra Mundial. Mas será que a feminilização das instituições monetárias muda alguma coisa?
A gestão da moeda está longe de ser um dos setores econômicos menos importantes e, por muito tempo, ficou reservada exclusivamente aos homens. Os dirigentes das instituições – hoje chamadas bancos centrais – responsáveis não só pela emissão monetária como também pelo financiamento último de todo o sistema bancário e, sobretudo, dos Estados reivindicam há muito o papel de sábios entre os sábios. A ciência econômica moderna chegou a teorizar a necessidade de o “banqueiro central” (seja individual ou coletivo) se mostrar, em média, mais “conservador” do que seus pares no que tange à estabilidade de preços e às condições macroeconômicas.[1] Em todo caso, durante séculos os guardiões da moeda foram exclusivamente homens. Quando isso começou a mudar? Em 2013, o diário austríaco Der Standard atribuiu à Áustria esse feito inédito ao noticiar o falecimento da austríaca Maria Schaumayer: “Ela se tornou a primeira mulher no mundo a dirigir um…

