A hora é delas - Le Monde Diplomatique

FEMINISMO

A hora é delas

por Amália Fischer, Nina Best e KK Verdade
setembro 24, 2018
Imagem por Rovena Rosa/Agência Brasil
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As conquistas das mulheres nasceram de sua união – uma união dentro das diferenças, pois as mulheres são diversas.  Conectadas globalmente na busca deum  mundo em que as mulheres não sejam discriminadas. Campanhas como #ChegadeFiuFiu, #MeuPrimeiroAssédio, #NiUnaMenos e #MeToo mostram que não há fronteiras para as alianças

Não há mais quem possa negar: as mulheres são as protagonistas nas ruas, nas redes e no debate público no país e no mundo atualmente. Em 2018, as britânicas festejam 100 anos de direito ao voto, o Brasil celebra 30 anos de ativismo das mulheres negras e os 30 anos da Constituição, mulheres jovens em todo o mundo multiplicam os frutos da Primavera Feminista e as ativistas lésbicas, bis e trans conquistam uma visibilidade inédita.

São Paulo – Manifestações do Dia da Mulher na região central da capital (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Elas sempre estiveram juntas à frente de lutas por direitos – e assim acumularam vitórias como o direito ao voto, a lei do divórcio, a lei Maria da Penha e do Feminicídio, a PEC das Domésticas etc. Com o Lobby do Batom, em 1987, deputadas e senadoras formaram uma aliança suprapartidária articulada com o movimento de mulheres e levaram à Assembleia Nacional Constituinte a Carta das Mulheres Brasileiras – e conseguiram ter 80% de suas reivindicações aprovadas.

Foi assim que as mulheres conquistaram, na Constituinte de 1988, a igualdade jurídica entre homens e mulheres, a ampliação dos direitos civis, sociais e econômicos das mulheres, a igualdade de direitos e responsabilidades na família, a definição do princípio da não discriminação por sexo e raça-etnia, a proibição da discriminação da mulher no mercado de trabalho e o estabelecimento de direitos no campo da reprodução.

Elas também ocupam cada vez mais espaços políticos. Embora sejam 30% do total de candidaturas para as próximas eleições no país, que é o mínimo exigido em lei, estão articuladas como nunca. Candidatas negras, indígenas, quilombolas, lésbicas, bissexuais, trans, vêm sendo mapeadas por iniciativas também suprapartidárias como o Mapa das Minas, a Bancada Feministe e a Rede Umunna, que visam promover e visibilizar as candidaturas de mulheres nas eleições 2018.

Todas as conquistas das mulheres nasceram de sua união – uma união dentro das diferenças, pois as mulheres são diversas. Elas estão em aliança, conectadas globalmente na busca por um mundo em que as mulheres não sejam discriminadas por serem mulheres. Campanhas como #ChegadeFiuFiu, #MeuPrimeiroAssédio, #NiUnaMenos e #MeToo mostram que não há fronteiras para as alianças das mulheres.

Um exemplo disso é o II Diálogo Mulheres em Movimento: Alianças e Ações Coletivas, que de 26 a 28 de setembro reúne mulheres de todo o Brasil, de outros países da América Latina e do Reino Unido para traçar estratégias conjuntas para a agenda do movimento de mulheres. Serão mais de 120 mulheres construindo e ampliando alianças em prol da equidade de gênero no mundo, com apoio do British Council e do Fundo ELAS.

Outro exemplo é o Festival Mulheres do Mundo, que vai ocupar a região portuária do Rio de Janeiro entre 16 e 18 de novembro. Será a primeira edição na América Latina do Festival Women of the World (WOW), que já aconteceu em 23 países da Europa, Ásia e África. Além das mais de 70 convidadas locais, virão 48 convidadas nacionais e 28 internacionais.

Elas estão em aliança, conectadas globalmente e seguindo em frente. A hora é delas, e quem ainda não percebeu está perdendo o bonde da História.

*Amália Fischer é socióloga e coordenadora geral do Fundo ELAS, Nina Best é Líder da área de Sociedade do British Council no Brasil, KK Verdade é coordenadora executiva do Fundo ELAS



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