A importância da educação ambiental
A 14ª Mostra Ecofalante de Cinema no Pará reúne mais de 14 produções cinematográficas dedicadas para estudantes
A emergência climática se torna cada vez mais emergente para os jovens, exaustos por conceber o futuro do mundo em suas costas. Seja na universidade ou na escola, a discussão a respeito do clima não se trata mais apenas de questões políticas, mas sociais e educacionais.
A programação educacional da 14ª Mostra Ecofalante de Cinema no Pará utilizou de filmes da plataforma Ecofalante Play para promover debates sobre emergência climática, racismo ambiental, justiça ambiental e educação ambiental. Com a proximidade da COP 30, que será realizada em Belém em novembro, o programa ganha maior relevância na preparação da comunidade acadêmica para as discussões climáticas globais.
O projeto possibilitou que estudantes de diferentes idades (do 1º ano do Ensino Fundamental até a universidade), no Pará, desenvolvessem o pensamento crítico e novos conhecimentos, através de uma curadoria bem desenvolvida de acordo com a classificação indicativa.
Nesta iniciativa, uma parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC), participaram 19 escolas da rede estadual de ensino em Belém, Ananindeua, Marituba e Benevides. Elas foram divididas em dois grupos: as que levaram os estudantes para sessões no Cine Líbero Luxardo e as que realizavam as atividades de cinema na sala de aula.

Para saber mais sobre a mostra, o Le Monde Diplomatique Brasil conversou com o coordenador do Programa Educacional da Ecofalante, José Matheus Rodrigues. Para ele, o cinema auxilia a compreensão a respeito da realidade por meio dos sentimentos que incita. O coordenador afirma que “quando falamos sobre as mudanças climáticas, as pessoas acabam não conseguindo entender e compreender na prática como esse tema já está afetando o próprio dia a dia das pessoas em si”.
Ele também ressalta que o programa trata-se de um complemento ao que os alunos já aprendem em sala de aula. Na Mostra, além de desenvolverem o pensamento crítico, os estudantes também aprendem sobre realidades paralelas ao cotidiano, ou reconhecem contextos iguais aos que estão inseridos.
De acordo com Rodrigues, a capacidade desses filmes de fazer com que “a pessoa se veja naquilo que está sendo apresentado” permite que a mostra alcance um público paraense muitas vezes negligenciado pelas produções brasileiras, voltadas principalmente para o Sudeste. “E, a partir disso, conseguem compreender ainda mais a importância de valorizar o próprio território”, afirma ele.
Os documentários, películas e curtas-metragens criticam o racismo ambiental, a desigualdade social, a poluição das águas, a exploração e o desmatamento. Os longas reforçam os conhecimentos indígenas e ribeirinhos que a população brasileira deve absorver para a preservação da Amazônia e dos demais biomas do país, considerando o crescimento econômico sustentável. A partir do retrato de múltiplas realidades, a curadoria desta edição aborda questões políticas e críticas intrínsecas aos debates climáticos.
“A Ecofalante ajuda na própria luta de resistência”
José Matheus Rodrigues
Algumas das obras exibidas na mostra e disponíveis na plataforma são A Floresta Que Você Não Vê – Narrativas do Médio Xingu, Águas Turvas e Essa Terra é Meu Quilombo. No dia 3 de setembro, a Mostra Ecofalante de Cinema encerrou com a exibição do longa Quem é Essa Mulher? no Sesc Ver-O-Peso.
Regina Lemmi é parte da equipe do Le Monde Diplomatique Brasil.

