Alan Greenspan e a instabilidade
Gérard Duménil e Dominique Lévy
Em julho de 2005, Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve, o banco central
dos Estados Unidos, exigiu que os riscos de inadimplência das famílias fossem bem avaliados.
Recorreu às lições do passado: “A história ensina que os períodos de relativa estabilidade geralmente
engendram expectativas irrealistas quanto à sua continuidade e podem levar a excessos
financeiros e a tensões econômicas”. Tal declaração demonstra, retrospectivamente,
que ele não ignorava a tempestade que se acumulava no horizonte. Greenspan teve de enfrentar
a crise de 2001.
Mas dentro da bitola neoliberal. Isto é, sem regulamentar o setor financeiro
(coisa, aliás, que teria emperrado as engrenagens do incentivo ao consumo mediante a facilidade
do crédito); sem questionar o livre-comércio, e sem restringir a mobilidade internacional
dos capitais.
Portanto, seu remédio consistia em crédito e somente crédito (inclusive por meio
do endividamento público). Tratava-se de optar pelo pior para não tocar no “essencial”.
Greenspan observou a tripla expansão do endividamento das famílias, do consumo e dos
desequilíbrios externos que o tratamento da crise de 2001 acabou por intensificar. Ele precisava
frear a máquina infernal. Também estava consciente da deterioração da situação do
mercado imobiliário e dos correspondentes mecanismos de crédito. Vendo a saída da recessão
de 2001 se confirmar, desencadeou um processo gradual de elevação das taxas de juros
dos “fundos federais”: lentamente, o mais gradualmente possível, 17 pequenos passos de
0,25%, entre junho de 2004 e junho de 2006.
Esse procedimento que visava desacelerar o aumento do endividamento pela alta das
taxas de juros finalmente deu certo, mas, em vez da esperada aterrissagem suave, o edifício
financeiro ficou desestabilizado. É justamente isso que significa “instabilidade”. As variáveis
deixam de ser controláveis e um impulso a m

