Como salvar as crianças? - Le Monde Diplomatique

INFÂNCIA

Como salvar as crianças?

por Rubens Naves
17 de fevereiro de 2011
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Nestes dias que se seguem à catástrofe na região serrana do estado do Rio de Janeiro, há quem fale em superar, por meio de posturas e ações racionais, as emoções despertadas Brasil e mundo afora por imagens e relatos das enormes perdas e dos atrozes sofrimentos ali vividos.Rubens Naves

Nestes dias que se seguem à catástrofe na região serrana do estado do Rio de Janeiro, há quem fale em superar, por meio de posturas e ações racionais, as emoções despertadas Brasil e mundo afora por imagens e relatos das enormes perdas e dos atrozes sofrimentos ali vividos. Incorre-se, assim, num dualismo enganoso. Tanto a ajuda imediata às vítimas do desastre quanto as ações cívicas, políticas e administrativas que precisam ser tomadas e mantidas demandam, sobretudo, o oposto de uma cisão. O desafio-chave deste momento é o inverso: chama-se “integração”.

A compaixão e a solidariedade suscitadas pela catástrofe devem nos lembrar de como nós, em sociedade, muitas vezes nos afastamos desses que não são apenas sentimentos individuais, mas também princípios que dão sentido à nossa Constituição e devem nortear nossas relações e metas coletivas. É preciso integrar esses sentimentos e princípios aos planos e às medidas de amparo, recuperação e prevenção dirigidas à região serrana fluminense e às outras áreas de risco espalhadas pelo país.

Nessa abordagem, de solidariedade ativa e responsável, a prestação de socorro e atendimento continuado às crianças atingidas pela tragédia deve ser prioridade absoluta. Para dar conta da tarefa vital de reduzir ao máximo os danos causados aos mais jovens e vulneráveis, que precisam de condições e cuidados especiais para se recuperar dos traumas sofridos, é preciso integrar esforços, recursos, experiências, níveis de governo, entidades públicas e sociedade civil, em ações emergenciais e políticas de curto, médio e longo prazos.

Diante desses desafios, a Fundação Abrinq e a ONG internacional Save The Children, que, desde 2010, integram uma aliança permanente em prol das crianças e dos adolescentes brasileiros, engajaram-se no amparo às vítimas da catástrofe. Graças a doações de entidades internacionais, empresas e pessoas físicas, a Fundação Abrinq – Save The Children, em parceria com as prefeituras de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, inaugurou os primeiros “Espaços Seguros e Amigáveis”, ambientes especialmente concebidos para proteger e acolher crianças em situações de emergência humanitária.

Nesses locais, instalados em creches da região, as crianças ficam sob os cuidados de profissionais especializados, participam de jogos e brincadeiras, compartilham experiências e aprendizados, e expressam seus sentimentos ao mesmo tempo em que reconstroem suas vidas. Nas próximas semanas, com a inauguração de novos Espaços Seguros e Amigáveis em outros municípios, cerca de 600 crianças da região serrana deverão ser diretamente beneficiadas. E, em breve, um segundo projeto da Fundação Abrinq – Save The Children, o “Retorno Escolar”, deverá prover material escolar básico a aproximadamente 4 mil crianças da região afetada pela tragédia.

Trata-se de uma iniciativa da sociedade civil e do terceiro setor em sinergia com o poder público, com a qual qualquer um, pessoa física ou jurídica, pode colaborar, por meio de doações, e acompanhar pelo site www.fundabrinq.org.br. É um exemplo valioso diante do quanto precisamos avançar no sentido da integração dos mais vulneráveis – seja pela juventude ou pela pobreza – numa nação em que a compaixão e a solidariedade norteiem, de forma efetiva, permanente e eficaz, as relações sociais.

 

Texto publicado no Terra Magazine

Rubens Naves é professor licenciado do Departamento de Teoria Geral do Direito da PUC-SP, sócio titular de Rubens Naves, Santos Jr, Hesketh Escritórios Associados de Advocacia.



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