QUANDO OS REFÚGIOS SEGUROS SE TORNAM TÓXICOS

Dívida norte-americana: nada mais vai bem

Há vários meses, entre o private credit e a bolha da inteligência artificial, a estrutura do mercado financeiro vem rachando por todos os lados… Agora surgem fissuras no segmento considerado o mais sólido, para o qual os investidores vinham correndo até então em busca de refúgio: o mercado de títulos da dívida dos Estados Unidos, que parece, agora, escapar a qualquer controle

As taxas de inadimplência sobem no private credit. A extravagante pirâmide financeira da inteligência artificial (IA) – equilibrada na ponta – começa a vacilar.[1] E, como se isso não bastasse, eis que outro setor, desta vez no âmbito da moeda e das finanças internacionais, desperta e se movimenta, como se não quisesse ficar de fora do quadro dantesco que vai se formando de uma crise que, decididamente, vem de todos os lados: agora, do lado das taxas de juros soberanos. Aliás, já não se sabe muito bem se é preciso colocá-lo na categoria dos explosivos ou na dos detonadores. A questão não é anedótica nem fútil: envolve desafios bastante cruciais – sobretudo políticos. Isso porque, quando as dívidas soberanas surgem no meio de um desastre causado, em um primeiro momento, por dívidas privadas, é para que aquelas levem a culpa. As taxas de juros soberanos vêm subindo silenciosa, mas inexoravelmente…

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