A dívida como prova da democracia
A dívida doméstica deixou de ser apenas um indicador macroeconômico para se tornar um vetor de subjetivação política, um terreno onde se disputam adesões, ressentimentos e expectativas de futuro

A dívida doméstica deixou de ser apenas um indicador macroeconômico para se tornar um vetor de subjetivação política, um terreno onde se disputam adesões, ressentimentos e expectativas de futuro
Um véu de mistério envolve o Fundo Monetário Internacional (FMI), cujas regras parecem flutuar em função de motivações políticas: austeridade draconiana para alguns, generosidade sem limite para outros. A reportagem a seguir dá um mergulho no coração dessa instituição-mundo
Contrariamente ao desejo do presidente francês, Emmanuel Macron, a dívida dos países africanos não será anulada e a suspensão momentânea dos pagamentos não resolverá os problemas agravados pela pandemia de Covid-19. Nesse cenário, a recusa em pagar merece ser cada vez mais considerada uma possibilidade
Segundo Negri e Hardt, vivemos um momento de transição nas formas de exploração capitalista: de uma ordem baseada na hegemonia do lucro (pela exploração do trabalho industrial), transitamos para uma ordem dominada pela renda, em que a dívida é um elemento central para produzir a subordinação e construir os elos de uma nova servidão
Os eleitores gregos acabam de devolver a Alexis Tsipras a maioria para governar. Mas a imposição de um terceiro plano de ajuste, no dia 13 de julho, ignora o funcionamento da zona do euro. Esse desvio antidemocrático preocupa até os defensores mais convictos da construção europeia, como o líder dos ecologistas no ParlaPhilippe Leymarie
A dívida contraída pelos estudantes norte-americanos atingiu US$ 1,2 trilhão em 2014. Diante das dificuldades dos clientes em fazer os reembolsos, os bancos aumentam as multas e… os lucros. Ao mesmo tempo, eles se recusam a abrir agências em bairros empobrecidos.Maxime Robin
Em meio ao declínio de quase toda a economia real e encolhimento do PIB, o lucro dos bancos explode e bate recordes ainda superiores aos verificados nos últimos anos. Qual é a relação entre os juros altos, os mecanismos que geram dívida pública e o impressionante lucro dos bancos no Brasil?Maria Lucia Fattorelli
Desde 2014, quando a política monetária acelerou a alta de juros, não houve notícias boas. A situação se agravou depois das eleições. O governo passou a orientar explicitamente as expectativas dos agentes econômicos para o efeito de suas medidas recessivas. Há apenas uma promessa de reversão do quadro.Flávio Tonelli Vaz
É chegado o momento de fornecer aos países do hemisfério sul os fundos e as tecnologias que lhes permitam dar diretamente o salto para um desenvolvimento baseado na sobriedade energética.Philippe Descamps
Há décadas a dívida africana mobiliza a atenção das instituições financeiras internacionais e das associações que reclamam pura e simplesmente sua anulação. Alguns países se desendividaram graças ao aumento do preço das matérias-primas, porém, outros construíram novos passivos e são ameaçados por fundos abutresSanou Mbaye
Em entrevista, o engenheiro e mestre em Finanças Públicas pela Eaesp/FGV, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo (1989-1992) e consultor na área fiscal, orçamentária e tributária Amir Khair analisa a política econômica dos últimos vinte anos e critica o ajuste fiscal e a taxa básica de jurosSilvio Caccia Bava
Um debate fundamental pede passagem: a esterilização dos recursos do país por meio do sistema de intermediação financeira, que drena em volumes impressionantes recursos que deveriam servir ao fomento produtivo e ao desenvolvimento econômico. Os números são bastante claros e conhecidos, e basta juntá-los para entenderLadislau Dowbor