Eleições brasileiras, ingerências americanas
Os Estados Unidos sempre interferiram nos assuntos do Brasil. A campanha para as eleições gerais de 4 e 25 de outubro confirma isso. A vitória do candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro, apoiado pelo governo Trump, provocaria uma mudança regional favorável ao ocupante da Casa Branca e a seu projeto de retomar o controle da América Latina
“Queira aceitar meus mais sinceros votos por ocasião de sua chegada à Presidência dos Estados Unidos do Brasil.” Em 2 de abril de 1964, dois dias depois do golpe militar que derrubou o presidente trabalhista João Goulart, seu homólogo norte-americano foi o primeiro chefe de Estado estrangeiro a reconhecer as novas autoridades.[1] A carta apressada de Lyndon Johnson era dirigida ao presidente da Câmara dos Deputados, Pascoal Ranieri Mazzilli, a quem o Congresso, sob pressão dos militares brasileiros, acabara de confiar a Presidência da República. Quinze dias depois desses acontecimentos, Mazzilli cedeu diretamente a Presidência ao marechal Humberto Castelo Branco. A ditadura militar instalava-se no Palácio do Planalto, onde ficaria até 1985. Com a bênção de Washington. Ao chegar ao poder em 1961, Goulart queria promover uma reforma agrária e investir em larga escala em empresas nacionais estratégicas de vários setores (petróleo e energia, mineração, telecomunicações etc.), o que implicava…

