Informar tem seus perigos
Alvo das autoridades argelinas e marroquinas, que instrumentalizam a justiça para amordaçá-los, os jornalistas estão na linha de frente da luta pela democratização de seus países. No Marrocos, dois processos ilustram esse conflito. Na Tunísia, apesar do fim da censura instaurada pelo antigo regime, o setor midiático luta para se estruturar
De Argel, a voz é calma; o tom, assertivo. Do outro lado da linha, Khaled Drareni, diretor do site Casbah Tribune, impressiona por sua serenidade. Condenado, em setembro de 2020, a dois anos de reclusão por “ameaçar a unidade nacional” e “incitar multidão desarmada”, e libertado em 19 de fevereiro de 2021 após onze meses na prisão de Koléa, Drareni é funcionário da TV5 Monde. No espaço de um ano, ele se tornou símbolo da luta pelas liberdades públicas em seu país e fora dele. No fim de março, a Suprema Corte anulou a condenação e pediu novo julgamento – o terceiro – para Drareni, a quem o regime não perdoa pela cobertura intensiva do Hirak, movimento popular que sacode a Argélia desde 16 de fevereiro de 2019. Depois de sua saída da prisão, o jovem jornalista reencontrou os caminhos dessas manifestações, que, interrompidas pela pandemia de Covid-19 em março…

