Tecnologias de guerra e exploração midiática da violência viram trampolim político no Brasil
Em um país que convive com a perseguição a jornalistas e violações de direitos na mídia, a violência é usada como estratégia eleitoral

Em um país que convive com a perseguição a jornalistas e violações de direitos na mídia, a violência é usada como estratégia eleitoral
A libertação do jornalista australiano, no fim de junho, encerra um calvário de catorze anos. No entanto, não diminui a responsabilidade de seus perseguidores. Nesse aspecto, Washington, Londres e Estocolmo agiram com a cumplicidade de uma instituição supostamente responsável por dizer a verdade ao poder e proteger os inocentes: a imprensa, que, desta vez, mostrou-se pouco confraternal…
John Shipton é protagonista em “Ithaka: A Luta de Assange”, novo documentário sobre o jornalista e sua família pela liberdade da imprensa
Kristinn Hrafnsson se reúne com Lula e outros líderes da América Latina em busca de apoio político no caso da extradição de Julian Assange
O conflito na Ucrânia acelera uma degradação iniciada na primavera de 2021, por ocasião dos protestos favoráveis ao opositor Alexei Navalny. Com a guerra contra Kiev, a pressão transformou-se em ameaça. Segundo a mídia online Agence, 150 jornalistas teriam deixado o país apenas dez dias após deflagrada a guerra
Já esgotados pela pressão do cronômetro e da audiência, os procedimentos de seleção e de verificação afrouxaram. Imagens e testemunhos próprios para provocar emoção (refugiados, crianças chorando) formam o grosso de uma produção jornalística à qual os envolvidos são chamados a “reagir”
É importante a reflexão sobre o papel da mídia na seleção da divulgação tanto de notícias quanto de artigos de opinião. Opiniões razoáveis são aquelas que reconhecem e explicitam as premissas de um debate, de uma situação, de uma hipótese. Opiniões não razoáveis omitem ou manipulam estas premissas
Alvo das autoridades argelinas e marroquinas, que instrumentalizam a justiça para amordaçá-los, os jornalistas estão na linha de frente da luta pela democratização de seus países. No Marrocos, dois processos ilustram esse conflito. Na Tunísia, apesar do fim da censura instaurada pelo antigo regime, o setor midiático luta para se estruturar
Não há no Brasil liberdade de imprensa e sim de empresa. Pois, se publica o que os diretores e donos de determinada empresa editora desejam
Existem sim limitações a estas liberdades, seja como um Direito Humano internacional ou como um Direito Fundamental positivado no país. Mas enquanto a liberdade de imprensa demanda regulação mais rigorosa devido às responsabilidades da prática jornalística, não dá para discutir a fundo a liberdade de expressão se não for caso a caso. Com isso não fica “liberada” a barbárie discursiva, só não se “adianta o carro na frente dos bois” ao se estabelecer censuras prévias.
Se a mecânica institucional restringe o leque de ideias políticas que possuem voz, é possível imaginar o atrofiamento de uma campanha eleitoral que depende da boa vontade dos jornalistasPierre Rimbert