Cortina sombria
O conflito na Ucrânia acelera uma degradação iniciada na primavera de 2021, por ocasião dos protestos favoráveis ao opositor Alexei Navalny. Com a guerra contra Kiev, a pressão transformou-se em ameaça. Segundo a mídia online Agence, 150 jornalistas teriam deixado o país apenas dez dias após deflagrada a guerra
As guerras nunca são propícias à livre circulação das informações (ver pág. 20). Por ocasião da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro, o poder russo acabou de dar um exemplo especialmente grave. Emenda ao código penal adotada em 4 de março determina que um cidadão está sujeito a três anos de prisão se ousar “desacreditar o uso das Forças Armadas” e a cinco anos se divulgar uma convocação para uma manifestação. Publicar um artigo que contrarie os comunicados do Ministério da Defesa pode render até quinze anos de reclusão. Antes disso, um decreto proibira a utilização das palavras “guerra” ou “agressão” para designar a operação militar na Ucrânia. Numa ação rápida e contundente, as autoridades procuraram calar os opositores à guerra, que foram muitos a se expressar no dia seguinte ao ataque. Dezenas de petições surgiram na internet. A de Lev Ponomarev, defensor dos direitos humanos na Rússia, recolheu…

