México abala a tutela norte-americana
O México observa sua soberania ser dilapidada por todas as partes. No plano institucional, pela corrupção. No territorial, pelos cartéis. No econômico, pelo livre-comércio. E, no geopolítico, por sua proximidade “maldita” com os Estados Unidos. Nesse último campo, o presidente López Obrador operou uma mudança discreta, porém determinante
Em 15 de dezembro de 2020, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador (conhecido como AMLO), enviou uma carta de parabéns a Joe Biden, eleito para a Casa Branca algumas semanas antes. Em meio a protocolos esperados, a carta foge de um simples gesto diplomático de boa vizinhança: “Estamos certos de que, com seu governo, será possível seguir os princípios de política externa consagrados em nossa Constituição, em particular a não intervenção e [o direito à] autodeterminação dos povos”. Convencido de que a segurança e a prosperidade dos Estados Unidos estão “intimamente ligadas à situação no México”, o Departamento de Estado, há muito tempo, faz da supervisão do vizinho ao sul uma “prioridade absoluta”,1 sem se preocupar muito com a questão da soberania. Um escândalo recente marca esse espírito. O julgamento de Joaquín “El Chapo” Guzman, que terminou em 2019, revelou como a Agência de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo…

