DOIS NACIONALISMOS EM BUSCA DE FRONTEIRAS

Nos confins da Ucrânia e da Polônia, a sombra das minorias apagadas

Desde a invasão russa, milhões de ucranianos encontraram refúgio na Polônia. No entanto, as relações entre os dois países têm seu lado escuro. A ruptura entre eles durante a Segunda Guerra Mundial levou as autoridades soviéticas e polonesas a realizar uma gigantesca troca de populações, concretizando um sonho de homogeneidade étnica dos nacionalistas que eles haviam combatido

Solidárias diante da agressão russa contra a Ucrânia, Kiev e Varsóvia não liquidaram, contudo, os contenciosos de memória que as opõem. Sua fronteira comum atravessa antigos confins de impérios cuja realidade multicultural foi abalada pelo surgimento de Estados-nação que aspiravam a uma uniformidade étnica, o que provocou rupturas cuja lembrança permanece viva. No fim do século XVIII, ao longo das partilhas sucessivas, a autocracia russa e a monarquia habsburga, em essência, apoderaram-se do território polono-lituano (chamado de República das Duas Nações). Poloneses e ucranianos continuaram a coexistir na Galícia (austríaca) assim como na Volínia (região do Império Russo), mas o peso das antigas elites polonesas ainda se fazia sentir, especialmente nos centros urbanos, enquanto os ucranianos se concentravam majoritariamente no campo. Essa diversidade socioterritorial não servia bem aos projetos nacionais baseados no ideal de homogeneidade étnica, fosse o sonho dos poloneses de refundar seu Estado perdido, fosse o desejo dos…

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