DO DISCURSO À TRANSFORMAÇÃO

O Brasil no centro da nova economia climática

A presença da COP 30 em território nacional é uma oportunidade para o Brasil reposicionar sua imagem internacional e atrair investimentos

Belém vai ser o centro do mundo em novembro de 2025 ao receber a COP 30. O evento não será apenas um marco diplomático ou ambiental, será uma vitrine estratégica para o país mostrar ao mundo sua capacidade de liderar a transição energética para uma economia sustentável, inclusiva e regenerativa. Com o mundo batendo o recorde de 1,5 ºC de aquecimento global, políticas de sustentabilidade têm se tornado o centro das decisões econômicas globais.  

O Brasil detém mais de 60% da Floresta Amazônica, com um estoque estimado em mais de 100 bilhões de toneladas de carbono, ativo ambiental de valor global. Nossa matriz energética é composta de 85% de fontes renováveis, em contraste com a média mundial de apenas 29%, o que reforça nosso potencial de liderança na transição energética. Além disso, com uma costa de 8 mil quilômetros, o país possui uma das maiores potências do mundo para a geração de energia eólica offshore, ainda pouco explorada, mas extremamente promissora para um futuro de baixo carbono. 

Dessa forma, pode-se dizer que vivemos um momento favorável para implementar uma nova política industrial sustentável. Ou seja, a presença da COP 30 em território nacional é uma oportunidade para o Brasil reposicionar sua imagem internacional e atrair investimentos. 

A economia circular pode ser uma das propostas brasileiras. Em um mundo onde apenas 6,9% dos materiais utilizados são reciclados, segundo relatório global da Circle Economy de 2025, a circularidade é uma resposta concreta à crise de recursos e às emissões de carbono. O modelo linear de extração, produção e descarte precisa ser substituído por sistemas que priorizem a reutilização, o reaproveitamento e o design sustentável.  

Crédito: rawpixel

O Brasil apresenta experiências relevantes em cooperativas de reciclagem, logística reversa e startups verdes que merecem destaque. Além disso, sua trajetória no uso de biocombustíveis, no desenvolvimento de energias renováveis e em iniciativas de restauração florestal pode se consolidar como um diferencial competitivo no novo cenário econômico global. 

Outro ponto que deve ser discutido é qual o papel do setor privado em iniciativas que tenham o propósito de melhorar a nossa condição climática?  

Grandes empresas já perceberam que sustentabilidade não é moda, mas sobrevivência: a JBS lançou um fundo de restauração florestal privado que promove o desenvolvimento sustentável do bioma amazônico; e a Natura mantém 1,8 milhão de hectares conservados. 

Faz parte dessa equação, também, iniciativas que contribuam para a conservação do meio ambiente. Governos locais podem implementar o IPTU Verde com desconto para construções sustentáveis; e, além disso, podem criar corredores de biodiversidade urbana, que é uma faixa de terreno com vegetação que conecta áreas naturais ambientadas nas cidades.  

A COP 30 tem tudo para ser um sucesso, mas cabe ao Brasil transformar esse momento em legado, não apenas como anfitrião de uma conferência, mas como líder de uma nova era de desenvolvimento sustentável. 

 

Augusto Freitas é fundador do Recicla Junto e presidente-executivo da Cristalcopo. 

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