“SE ALGUÉM FAZ ALGO ERRADO, PÔ, VAI BOTAR A CULPA EM MIM?”

Os descaminhos do combate à corrupção

A verdade é que o arcabouço institucional de controle e combate à corrupção foi enfraquecido ao longo destes quase quatro anos de governo Bolsonaro, mitigando o fenômeno. O presidente sabe que, quando se trata de corrupção, o tapete é a serventia da casa

Em 2018, Bolsonaro se beneficiou eleitoralmente da agenda de combate à corrupção. A Lava Jato não apenas impediu a candidatura de Lula, como também desestabilizou o sistema político, abrindo caminho para que um inexpressivo deputado chegasse à Presidência da República. Quase um mandato depois, a agenda anticorrupção se modificou. Como um ilusionista, Bolsonaro desvia o foco ao repetir que em seu governo não há corrupção, quando, na verdade, o que falta é uma estrutura de controle e combate. As denúncias atingem Bolsonaro e seus familiares mesmo antes do desembarque no Palácio do Planalto. O esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio persegue o clã há algum tempo. No governo, desde o primeiro ano, elas se acumulam. As denúncias mais pitorescas envolvem a compra de leite condensado, Viagra e próteses penianas nas Forças Armadas. Mas há também acusações mais ortodoxas, como as que envolveram o ministro do Turismo por suposto…

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