Palavra 28 - Le Monde Diplomatique

LITERATURA

Palavra 28

por Rodrigo Gurgel
9 de maio de 2008
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Realismo na Roma Antiga
É possível imaginar que o sonho de Petrônio seria o de criar uma obra que não fosse uma imitação piorada do modelo, mas uma outra, capaz de expressar essa inadequação; para isso, optou por um gênero ainda pouco prestigiado, o romance, e de um estilo baixo, que não abrisse mão da paródia aos clássicos. O resultado é uma obra de caráter realista
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A casa no morro – Parte 2
Ao fim do percurso pude ver uma casa pequena – suja como tudo mais naquela região. Com o carro parado, Iuri abriu a porta e foi até um matagal amarelado na direção oposta da casa. Daquele lado o mato seguia até onde eu podia enxergar, mas por todos os outros era tudo uma terra seca e pálida. E a casa velha. Para trás dela era possível enxergar uma parte de um carro vermelho. O Escort.
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Poemas
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Uma fábula de paredes
Enquanto espia o chuvisco sobre a folhagem da rua, não percebe como a memória apagou os sofrimentos e fechou as feridas. Restam só as imagens de terras exóticas que o fascinaram, lugares não raro ausentes dos mapas
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Em sua análise do Satíricon, David Oscar Vaz nos ensina que Petrônio foi muito além da sátira ou do sexo escrachado. Há intertextualidade e um evidente diálogo com a poesia homérica nesse precursor do romance naturalista. Em sua cuidadosa leitura, Vaz se utiliza de uma lupa singular, capaz de ver não só o macro, mas também os detalhes que justificam o fato de Satíricon ser uma obra memorável.

Olivia Maia dá continuidade ao seu “A casa no morro”. Neste segundo capítulo, os policiais entram em cena – e a desolada paisagem da periferia paulistana contribui para o clima até agora taciturno do conto. Mas os ferimentos na mão de Joana, isso é o que mais intriga este editor.

Os poemas de Pedro Marques são marcados de uma sutil, mas impiedosa crítica social. O consumismo, a propaganda, as ilhas de segurança em meio à surda guerra civil brasileira – variados temas servem a essa poesia ferina, importuna, que expulsou de si qualquer lirismo.

O que fascina, o que acalenta, o paraíso que a memória recupera em busca de um consolo – nada disso pode ser encontrado nos mapas, nos guias. Convidado, dia após dia, a reconstruir seu pequeno mundo, o homem cuja coragem permanecerá eternamente incógnita é o protagonista da crônica de Diego Viana.

Boa leitura e até a próxima semana.

Rodrigo Gurgel, editor.



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