Palavra 42 - Le Monde Diplomatique

LITERATURA

Palavra 42

por Rodrigo Gurgel
22 de agosto de 2008
compartilhar
visualização

Hóspedes do vento
Ergueu-se, abriu os braços, não sabendo como saudá-los senão assim, camisa aberta, arreganhado, ele Neno, ele total, a mangueira repleta
Aqui

Perdendo Heitor
Noites que ela guardaria pelo cheiro do cigarro, da terra batida das estradas furtivas, do desodorante impreciso que ele passava, e, por fim, de muito usá-la, aprová-la, repeti-la, ele a tinha declarado única, nunca conhecera carne, cheiro melhor
Aqui

Tantas palavras
Quase ri dessa idéia absurda, outra que me cruzava o pensamento sem que eu soubesse de onde nem por que ela vinha. Mas me contive a tempo diante de um par de olhos que pareciam estar levando bem a sério a aventura
Aqui

O assassino bossa-nova
Espalham rapidamente as fotografias anteriores na mesa e decidem onde colocar a moça. Ela já está com um vestido longo, azul, semelhante aos usados na virada para os anos sessenta
AquiRodrigo Gurgel

A edição desta semana apresenta três contistas. Na verdade, três bons contistas, de mão firme e mira certeira.

Chico Lopes – que, a partir desta edição, torna-se colaborador mensal do Palavra -, autor de Nó de sombras e Dobras da noite, ambos publicados pelo Instituto Moreira Salles, apresenta duas narrativas inéditas, pertencentes a um livro de catorze contos que ainda aguarda editor: “Hóspedes do vento”- e “Perdendo Heitor”. No primeiro, dois andarilhos vagam rumo a uma cidade imprecisa, talvez a cidade ideal de todos os nossos sonhos; no segundo, o tema da busca retorna, mas toldado pela paixão, pelo desejo e por um final irônico, quase perverso.

Luiz Paulo Faccioli, que já colabora para este Palavra – dentre seus textos, há uma incisiva análise crítica da tradução brasileira de O Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell -, traz um conto inédito de seu novo livro, Trocando em miúdos, a ser publicado em outubro pela Editora Record. O livro compõe-se de quinze contos, livremente inspirados em quatorze canções de Chico Buarque, sem qualquer intenção de fidelidade. Para esta 42ª edição, Faccioli – que já publicou Elepê (contos, WS Editor) e Estudo das teclas pretas (novela, Editora Record) – escolheu a narrativa “Tantas palavras” – uma bordadura de sutilezas -, releitura da canção homônima gravada por Chico Buarque em 1984.

Marco Polli, colaborador do Palavra desde a nossa primeira edição, e autor do blog Ângulo, publica o conto inédito “O assassino bossa-nova”. Às vezes – nem sempre, é verdade – há razões existenciais para se matar: a melancolia, certa taciturnidade a que a vida nos condena, a falta de inspiração, a necessidade de exercitar os próprios dotes artísticos, ou apenas a passagem do tempo – e um angustiante sentimento de inadequação.

Boa leitura – e até a próxima semana!

Rodrigo Gurgel, editor.



Artigos Relacionados

ORÇAMENTO SECRETO

A melhor forma de combate à corrupção não é o discurso

Online | Brasil
por Luís Frederico Balsalobre Pinto
DEMOCRACIA MILITANTE

A democracia do erro: Loewenstein e o Brasil de 2022

Online | Brasil
por Gabriel Mattos da Silva
COPA: FUTEBOL E POLÍTICA

Qual é a função dos bandeirinhas após o surgimento do VAR?

por Helcio Herbert Neto
EDUCAÇÃO

Um ensaio timidamente indecente sobre pânico civilizacional e educação

Online | Brasil
por Fernando de Sá Moreira
ECONOMIA E SAÚDE

O SUS e o relatório do TCU

Online | Brasil
por Vários autores
QUE A CLOROQUINA NÃO SE REPITA

Como conter a pulsão de morte bolsonarista

Online | Brasil
por João Lorandi Demarchi
RESPEITEM OS LOUCOS

A patologização do fascismo

Online | Brasil
por Roger Flores Ceccon
NOVO MINISTÉRIO, A CONCRETIZAÇÃO DE UM VERDADEIRO MARCO

Os povos indígenas e seu protagonismo na transição de governo

Online | Brasil
por Aline Ngrenhtabare Kaxiriana Lopes Kayapó, Edson Kayapó e Flávio de Leão Bastos Pereira