Quais foram os resultados do périplo de Lula na Rússia e China?
Desde que voltou a presidência da República, Lula, reativou as viagens internacionais com o objetivo de alcançar resultados para a política externa brasileira. Essa é uma marca que já aconteceu nos dois primeiros anos de sua gestão com viagens para Argentina, Estados Unidos, Portugal, etc e mais países.
Nas últimas semanas, o presidente Lula viajou para dois países fundamentais para as relações internacionais do país: Rússia e China. Pelo peso geopolítico e econômico, bem como de fazerem parte do Sul Global, as ações chamaram atenção. Feita essas observações, quais foram os resultados dessas viagens internacionais?
Na Rússia, Lula fez uma visita de estado para o presidente Vladimir Putin para celebrar o dia da vitória russa na segunda guerra mundial. Foram discutidos diversos assuntos, especificamente questões geopolíticas que envolvem a paz na Ucrânia. A visita significa um sinal de que o Brasil pretende se fazer presente nos grandes assuntos da agenda internacional enquanto conciliador de conflitos internacionais.
Também, foram assinados dois acordos nas áreas de ciência, inovação e tecnologia. Destaca-se o Memorando de Entendimento para à promoção da pesquisa conjunta em áreas, como clima, pesquisa polar, biodiversidade, biotecnologia, pesquisa nuclear, ciência e tecnologia espacial, tecnologias quânticas, astrofísica, física de astro partículas, pesquisa científica marinha e geodésia.
Vale recordar que as relações comerciais entre os dois países atingiram uma cifra histórica em 2024 com 12,4 bilhões de dólares. Há um déficit comercial para o Brasil de cerca de US$11 bilhões de dólares, em virtude da dependência a de recursos como óleos combustíveis de petróleo e adubos e fertilizantes químicos. Sendo assim, existe espaço para que o Brasil melhore suas exportações, especialmente os chamados minerais críticos (cobalto, níquel, lítio…)
Apesar de que muitas análises criticaram a postura de Lula, vale dizer que não é uma novidade essa postura entre presidentes. Recentemente, Donald Trump fez esse mesmo movimento de aproximação com Putin, e foi celebrado pela mídia ocidental como um grande movimento estratégico entre as potências. Portanto, o presidente brasileiro tem se mostrado ativo nos grandes assuntos geopolíticos do mundo.
Além da visita a Rússia, Lula esteve presente na China para uma visita de estado. Essa é a segunda vez em seu atual mandato que visitou seu homologo, Xi Jinping. Na visita foram discutidos assuntos políticos convergentes entre os dois países, inclusive trataram sobre a guerra da Ucrânia, algo em que os dois países têm trabalhado para alcançar a paz através do “grupo de amigos da paz Ucrânia”.

Ademais, alcançou-se alguns resultados econômicos entre Brasil-China. Foram assinados acordos nas áreas de “data centers ”, biocombustíveis, renováveis, fertilizantes e minerais. Estima-se que serão investidos pelos chineses cerca de 27 bilhões de reais no Brasil. Os acordos reforçam a importância econômica que a China possui para o Brasil, posto que se traduzem em diversos investimentos financeiros.
A visita de Lula aos aliados reafirma o protagonismo da política externa, já que consegue trazer benefícios políticos e econômicos com dois grandes parceiros. Mesmo que haja uma parte considerável da opinião pública que faça críticas quanto ao distanciamento dos Estados Unidos, vale relembrar que o presidente brasileiro já visitou os americanos sob a administração Joe Biden. Isso mostra um senso de pragmatismo e oportunidades que as relações internacionais do país devem possuir, sobretudo quando está diante de potências e em um mundo multipolar.
Danilo Sorato é professor de História e Relações Internacionais. Doutorando em Estudos Estratégicos pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Pesquisador do Laboratório de Política Externa Brasileira (LABPEB/UFF) e Pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e do Planejamento Espacial Marinho (CEDEPEM/UFF/UFPel). Escreveu diversos artigos acadêmicos e jornalísticos sobre as relações internacionais do Brasil, em especial os governos Temer, Bolsonaro e Lula.

