Entre sombras e permanências: quando a pobreza cai, mas permanece
A queda recente da pobreza sugere avanço social, mas a leitura desagregada revela a persistência das desigualdades raciais e de gênero

A queda recente da pobreza sugere avanço social, mas a leitura desagregada revela a persistência das desigualdades raciais e de gênero
Por trás do brilho das vitrines, da inovação tecnológica e do consumo apresentado como sinônimo de progresso, existe uma engrenagem silenciosa sustentada pela exploração extrema do trabalho, pela destruição ambiental e pela naturalização da desigualdade
A gratuidade de justiça não deveria servir para maquiar desigualdade
A ausência de assistência técnica de projeto e acompanhamento das reformas no desenho inicial do Programa Reforma Casa Brasil ameaça o potencial transformador da nova política do governo federal, lançada em outubro
O que o mundo produz de riqueza hoje é suficiente para assegurar o bem-estar econômico de todas as pessoas do planeta
O analfabetismo e a baixa escolaridade da população jovem, adulta e idosa ainda marcam a história deste país, que tendo proclamado a República em 1889, não tornou ainda republicana a garantia de direitos fundamentais, como o acesso à educação às pessoas pobres, pretas e periféricas
As mesmas forças que produzem a vulnerabilidade, como a dependência econômica, subfinanciamento da saúde pública e endividamento externo, são aquelas que limitam o acesso sustentado às inovações
Num país em que um padrão de ser, pensar e viver branco, capitalista e cristão estrutura as instituições, as relações sociais e as subjetividades como ponto de partida e fim, organizando hierarquias raciais que atravessam a totalidade da vida social, esses atropelos não resultam de mera falha ou desatenção dos legisladores, mas são parte sistemática e planejada de um projeto racista
Faz sentido pensar que a população tem direito a acessar a uma cidade mais organizada, bem planejada, em que suas demandas sejam escutadas e suas necessidades cidadãs sejam observadas?
Vivemos em novos tempos e tempos curiosos, o capitalismo que antes era conhecido como sistema econômico, atualmente não se tornou somente uma ideologia, mas uma religião, onde fé e dominação caminham lado a lado
A repressão a usuários de drogas e o avanço da especulação demonstram um padrão recorrente: a criminalização da pobreza serve de álibi para liberar terrenos e revitalizar áreas inteiras sob comando de interesses privados
Sob essa camada de verniz institucional, os despejos — ora silenciosos, ora violentos — avançam como parte do processo. Porque, nesse palco idealizado, o que não se encaixa precisa ser retirado. Corpos que contradizem o cenário não cabem na moldura