A Economia Política do fascismo
O fascismo mais evidente, explicitado politicamente, tende a vir à tona em conjunturas econômicas difíceis

O fascismo mais evidente, explicitado politicamente, tende a vir à tona em conjunturas econômicas difíceis
Na noite do dia 25 de outubro de 2017, durante a Conferência de encerramento do seminário 100 anos de Revolução Bolchevique: História e Memória, um grupo de inspiração fascista invadiu o espaço acadêmico de debates, no auditório da Pós-Graduação em História Política da Uerj, para fazer culto à ditadura e hostilizar os presentes
Em verdade, essa ascensão dos militares pode ser ilustrativa de uma saída da política que nunca existiu. Apesar de contarmos 32 anos sem intervenção direta, as Forças Armadas jamais recuaram do controle do instrumento de dominação social e política por excelência do Estado moderno
Longe do silenciamento das massas promovido pela TV ou o rádio, a internet autoriza a fala, o julgamento, a expressão emotiva e, nessa permissão codificada, deles nos dispensa, desacostuma, até que, sem a menor necessidade de censura, os atrofia. Se o automatismo resultante é mais palpável na operação oca de “curtir”, este se torna menos evidente nos espaços destinados à escrita
Silvia Viana
Hoje, no “brasil”, aparentemente perdemos, no Estado e na sociedade, as referências a esse pacto civilizatório mínimo que constituiu a nação. Perdemos o reconhecimento da alteridade como parte de uma humanidade comum. Informados pela mídia e/ou pelas redes sociais, temos acompanhado microcenas de horror e barbárie que vêm compondo um enredo perverso
Márcia Pereira Leite
O imaginário recorrido atualmente pelo MBL é o das “guerras culturais” e da luta contra o “marxismo cultural”. A semente desta segunda ideia vem sendo plantada há muitos anos pela direita brasileira, tendo Olavo de Carvalho seu principal formulador. Gabriel de Barcelos
Com a combinação do jogo do medo com a percepção de uma força acima das leis, a segurança pública em prática no país demonstra que o aparato institucional é insuficiente para proteger os cidadãos, demandando o acionamento do autoritário e violento para conter o “outro” perigoso
Com a crescente maré conservadora e autoritária global, ondas de ódio tem atingido a sociedade brasileira com frequência horrenda. Não levar seus impulsionadores a sério é um risco e não intervir pode ser um equívoco danoso, capaz de dar espaço à efervescência de discursos fascistas.
A rua se mostra como a última trincheira. Mas ela está vazia, de pessoas e parece também de sentidos. Estamos com a pele dura, e vamos aceitando a excepcionalidade como um processo ordinário. No Brasil estamos vivendo um filme, de drama e com um roteiro ditado por poucos. É neste cenário, de almas derrotadas, de debacle econômica e de paralisia geral é que escrevo este artigo.
Enquanto a instabilidade política parece não dar sinais de abrandamento, movimentos neofascistas procuram espaço como alternativa aos desgastados partidos. O hate rock, vertente musical que funciona como ferramenta de difusão ideológica para seus militantes.
Qual é a identidade nacional húngara? Com base em uma leitura particular da história, os dois grandes partidos da direita a definem cada um ao seu modo. Seus programas políticos e sociais inspiram-se nela para propor um conjunto de valores, ao qual uma “contracultura” – de shows de rock a exibições equestres – ofereceEvelyne Pieiller
Após vencer as eleições de 2015, o partido conservador polonês Lei e Justiça (PiS) multiplica manifestações de autoritarismo. Enquanto isso, a Comissão Europeia lançou um “procedimento de salvaguarda do estado de direito”. Maltratados por 25 anos de ultraliberalismo, eleitores do PiS parecem seduzidos por promessasCédric Gouverneur