O desenvolvimento por meio de uma causa
A unidade do campo progressista precisa estar voltada ao combate do que virou o Brasil de Bolsonaro

A unidade do campo progressista precisa estar voltada ao combate do que virou o Brasil de Bolsonaro
Novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden afirmou logo de início sua vontade de reconciliar um país dilacerado, rompendo ostensivamente com a herança de seu predecessor. Concretizar esses dois objetivos será delicado, pois republicanos e democratas se odeiam e a amargura paranoica de uns conforta as tentações disciplinadoras de outros
A unidade prevalece na relação da classe dominante com o governo Bolsonaro, mas não exclui conflitos secundários e de curto alcance. Estes são de dois tipos: conflitos entre as diferentes frações burguesas diante da política econômica e conflitos de uma ou mais dessas frações com o movimento bolsonarista que não é burguês. Esse segundo tipo de conflito se dá, principalmente, nas áreas de política externa, política democrática e política de costumes
O fascismo clássico é sobretudo caracterizado como um movimento reacionário, em uma sociedade marcada pela polarização das forças políticas
A atualidade da reflexão benjaminiana parece inegável hoje, quando o mundo passa por uma nova rodada de ascensão da extrema direita
Não há na história recente da humanidade uma catástrofe de tamanhas proporções como a que estamos vivendo ao longo deste ano. No instante que escrevo este texto, são mais de 700 mil mortes no mundo e 100 mil no Brasil em decorrência de uma única doença, a Covid-19. Isso tudo em pouco mais de oito meses
Nos Estados Unidos, uma pessoa negra é morta brutalmente, e a população sai às ruas fazendo-as arder, apesar da polícia, apesar da Ku Klux Klan. No Brasil, o assassinato insuportável de pobres, negros ou brancos quase negros de tão pobres, se rotiniza. Quando gera protestos nas favelas, logo a polícia dissipa, o tráfico controla, a milícia gerencia e a esquerda faz posts indignados
Seminário virtual tem transmissão ao vivo em youtube.com/diplobrasil, entre 1º e 10 de junho
Passado algum tempo do início do atual governo, é o caso de se perguntar o que teria levado 57,8 milhões de pessoas vivendo nesses escombros dominados por milícias a acelerar o fim da História, votando em Jair Bolsonaro e sua Tropa de Elite composta por figuras como Paulo Guedes, Sérgio Moro e Ricardo Vélez. O espírito que move a corrida para o abismo seria apenas o Brasil tentando “ajeitar as coisas” mais uma vez?
Moro sugeriu que juízes possam extinguir penas de policiais que alegarem que mataram por estarem submetidos a “violenta emoção, escusável medo ou surpresa”. Pergunto: se o cabo que matou Hélio justificasse que atirou porque se sentiu surpreendido, seria justo que ele não fosse responsabilizado?
Será que libertar o país das amarras de um socialismo que nunca existiu por aqui e combater o politicamente correto (entenda-se permitir toda forma de brutalidade moral, verbal e física) vai resolver nossos problemas e fazer com que nosso povo viva melhor?
Vivemos o colapso de pactos hibridizadores de demandas populares com estruturas intocáveis, a corrosão da Nova República, o negacionismo capaz de inserir o nazismo na esquerda, a elaboração difusa de vontades coletivas neofascistas sob os auspícios de torturadores de bem, milicianos da verdade e profetas da antidemocracia. E por quê?