Alucinação neofascista e determinação algorítmica
A trama golpista em julgamento expões o deserto do nosso real – a simulação de um Brasil paralelo, cujos signos não se ancoram nos fatos

A trama golpista em julgamento expões o deserto do nosso real – a simulação de um Brasil paralelo, cujos signos não se ancoram nos fatos
O retorno de Trump ensaia uma forte reação dos EUA contra o desgaste de sua posição no mundo, mas pode ser o “canto do cisne” da hegemonia estadunidense e, com ela, da teleologia liberal que serviu de bússola ideológica à radicalização da acumulação de capital no pós-Guerra Fria
Uma fusão cibernética entre o autoritarismo racial e cultural do nazismo com o individualismo extremo e a desregulamentação promovida pelo libertarianismo, resulta em uma distopia tecnocrática conduzida por uma elite midiático-econômica, onde a liberdade é redefinida como dominação privada
Até agora, as pessoas não votaram pelo fascismo ou pela privação de direitos sociais, mas pelo desejo de combater a insegurança e proteger a frágil precariedade alcançada
Bolsonaro e Trump nunca tiveram a intenção de corrigir os problemas relacionados à desigualdade econômica e à exclusão política crescentes em seus respectivos países, mas sim se valer destes para se locupletar com base na promoção de um salvacionismo mais que tudo auto interessado
Como a chamada trickle-down economics perdeu credibilidade, um novo modelo tornou-se necessário para sustentar politicamente o regime neoliberal. Esse novo modelo, segundo alguns analistas, teria vindo na forma de neofascismo
Vivemos o colapso de pactos hibridizadores de demandas populares com estruturas intocáveis, a corrosão da Nova República, o negacionismo capaz de inserir o nazismo na esquerda, a elaboração difusa de vontades coletivas neofascistas sob os auspícios de torturadores de bem, milicianos da verdade e profetas da antidemocracia. E por quê?
O golpe parlamentar-midiático-judiciário de 2016, levado a cabo com o impeachment da presidenta, embora tendo uma confluência de vários interesses, deu voz, sobretudo, a uma nova direita no Brasil, em especial parindo o movimento neofascista que ora nos defrontamos
Com a crescente maré conservadora e autoritária global, ondas de ódio tem atingido a sociedade brasileira com frequência horrenda. Não levar seus impulsionadores a sério é um risco e não intervir pode ser um equívoco danoso, capaz de dar espaço à efervescência de discursos fascistas.
Enquanto a instabilidade política parece não dar sinais de abrandamento, movimentos neofascistas procuram espaço como alternativa aos desgastados partidos. O hate rock, vertente musical que funciona como ferramenta de difusão ideológica para seus militantes.