Testes que falham, humanos que decidem
Por que continuar controlando a evolução tecnológica como se ela estivesse separada de nós?

Por que continuar controlando a evolução tecnológica como se ela estivesse separada de nós?
As transformações impulsionadas pelas big techs avançaram em ritmo muito mais acelerado do que a capacidade de nossas instituições e da própria cultura de assimilá-las e regulá-las. Para enfrentá-las, será necessário construir novas formas de ação coletiva, em todas as escalas da vida social – da esfera interpessoal à cultural e à política
O que é o trem de alta velocidade chinês? Um ecossistema técnico integrado em escala vertiginosa, uma proeza técnica com um equilíbrio econômico frágil, um potente vetor de integração regional. Tudo isso, sem dúvida, mas também uma vitrine que a China gosta de apresentar ao mundo, o que a imprensa local chamou de “diplomacia do trem-bala”. Bem-vindo a bordo
O que está em jogo não é apenas uma empresa ou um conflito específico, mas a consolidação de um modelo de governo algorítmico que reconfigura a soberania, a guerra e a administração da vida na ordem internacional contemporânea.
A tecnologia que redefine poder, soberania e o futuro das nações
O Brasil vive um paradoxo que sintetiza o dilema global. É um dos maiores produtores de dados do planeta, mas não é soberano sobre eles. É uma das sociedades mais conectadas do mundo, mas depende de infraestrutura estrangeira
A materialidade da inteligência artificial expõe uma contradição crítica. Enquanto discursos tratam a “inteligência” como uma abstração, sua operacionalização depende de insumos físicos – dados, capacidade de processamento e infraestruturas energéticas – que reordenam relações ambientais e políticas. Para compreender essas tensões é preciso articular um olhar histórico, técnico e geopolítico, mostrando como decisões epistemológicas antigas repercutem hoje na configuração de políticas públicas de energia, uso de recursos ambientais e soberania nacional
Em todo o mundo, governos despejam centenas de bilhões para desenvolver uma “inteligência artificial (IA) soberana” – um oximoro, já que essa tecnologia depende das indústrias norte-americanas. Inflada pelas tensões internacionais, a soberania tornou-se uma mercadoria que rivaliza com o ouro, as criptomoedas e os carros de luxo
Criados para flexibilizar o quadro legal a fim de favorecer a inovação, os sandboxes regulatórios oferecem às empresas de tecnologia condições excepcionais em relação ao direito comum, especialmente no que diz respeito à proteção da vida privada. Eles seguem uma lógica de desregulamentação que reconfigura o Estado em benefício dos agentes de mercado e em detrimento das liberdades públicas
A regulação das plataformas digitais se tornou um dos principais desafios para as democracias contemporâneas. O debate sobre a liberdade de expressão e o combate à desinformação tem se mostrado delicado
A normalização dos ataques e violências relacionados a gênero e identidade como se fossem “liberdade de expressão”
Empresas que são veículos de mídia não querem se responsabilizar pelos conteúdos publicados em suas plataformas