Xenofobia ou pobrefobia? - Le Monde Diplomatique

POR TRÁS DOS RADICALISMOS

Xenofobia ou pobrefobia?

por Benoît Bréville
4 de fevereiro de 2015
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A mobilização contra a violência não será fértil se ignorarmos o terreno que a alimentou. Provocada pelas intervenções externas no Oriente Médio, a radicalização dos jovens jihadistas efetua-se também dentro de uma Europa que afasta o espírito das Luzes e deixar prosperar preconceitos e discriminaçõesBenoît Bréville

 

No dia seguinte aos assassinatos perpetrados no Charlie Hebdo e na loja Hyper Cacher, alunos se recusaram a observar o minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Um dos argumentos elencados pelos recalcitrantes tinha a ver com o “dois pesos, duas medidas” da liberdade de expressão na França: por que se fala tanto dessa chacina enquanto as pessoas morrem em silêncio no Oriente Médio? Por que a Charlie Hebdo poderia ofender uma figura sagrada do islã, quando Dieudonné se vê proibido de criticar os judeus? A questão foi considerada tão crucial que Najat Vallaud-Belkacem, ministra da Educação Nacional, anunciou, em 15 de janeiro de 2015, a necessidade de formar os educadores para responder a ela.

E não resta dúvida de que a formação proposta retomará o argumento desenvolvido pelos principais meios de comunicação e partidos políticos desde o início do caso das caricaturas: existe uma diferença de natureza entre desenhos blasfemos, que ultrajam uma divindade, e propósitos antissemitas constitutivos de um delito, porque contêm um atentado à dignidade das pessoas. É igualmente provável que a explicação não vá calar todos os rebeldes, porque o caso de Dieudonné e das caricaturas mascara um problema mais profundo: a impunidade quase total com a qual intelectuais como Alain Finkielkraut, Eric Zemmour, Philippe Tesson, mas também jornais como Le Point, L’Express, Valeurs Actuelles ou ainda Le Figaro, exibem sua rejeição ao islã, ora descrito como uma crença retrógrada, ora como uma “ameaça à identidade de nosso país” – segundo as palavras de uma pesquisa encomendada pelo site Atlantico.fr. “A popularidade de Dieudonné se deve ao fato de que, para ele, se por um lado podemos tratar impunemente ou quase os negros, os árabes, os muçulmanos, em uma palavra, os ‘subalternos’, de outro é quase impossível […] tocar num só fio de cabelo dos judeus ou tocar em Israel sem ser imediatamente tachado de antissemitismo”,1 estima o etnólogo Jean-Loup Amselle.

Esse funcionamento da liberdade de expressão é interpretado de diversas maneiras. Alguns o justificam pelo genocídio judeu e pelo antissemitismo secular da sociedade francesa, que obrigariam a ficar constantemente em guarda. Para outros, ele reflete uma islamofobia profundamente ancorada nas mentalidades, herdada do período colonial, que torna toleráveis aos olhos de todos os propósitos hostis aos muçulmanos. Quanto a eles, os adeptos das teorias da conspiração veem nesse desequilíbrio o sinal do pretendido domínio dos judeus sobre os meios de comunicação e os órgãos de poder: alimentando o ódio ao islã, o “lobby judeu” legitimaria as intervenções ocidentais no mundo árabe para, ao final, favorecer os propósitos de Israel ou de Washington. Esse tipo de discurso, produzido e retomado pelos sites de Alain Soral e de Thierry Meyssan, encontra um sucesso crescente. Ele se aproveita, para se instalar nas mentes, do vazio teórico e político deixado pelo refluxo das formações progressistas.

Essas interpretações, por mais diferentes que sejam, repousam sobre uma mesma abordagem etnocultural, que define os grupos sociais segundo suas origens ou suas religiões (os “judeus”, os “muçulmanos”, os “árabes”…). Mas o “dois pesos, duas medidas” observado em matéria de discursos estigmatizantes se presta a uma leitura totalmente diferente, essencialmente social. Os judeus se instalaram na França há muito tempo, desde os primeiros séculos da era cristã. Muitos se estabeleceram entre o fim do século XIX e o início da Segunda Guerra Mundial, fugindo dos pogroms e da ascensão do nazismo na Europa central e oriental. Depois, uma nova onda, decorrente da descolonização do norte da África, se produziu após 1945. Operários, artistas ou pequenos comerciantes, os judeus vindos do entreguerras viviam com frequência em bairros pobres e em más condições, onde se defrontavam com o racismo de seus vizinhos franceses. Como muitos refugiados políticos, eles dispunham por vezes de um capital cultural superior à média de seu país de origem (um traço igualmente observado entre os refugiados afegãos, sírios e africanos). Ao longo de décadas, certos descendentes ascenderam na sociedade, a ponto de ocupar hoje postos de poder, sobretudo nos meios jornalístico, político e universitário – ou seja, aqueles que produzem, orientam e controlam os discursos públicos.

Já os imigrantes de cultura muçulmana chegaram à França após a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a partir dos anos 1960, vindos do Magreb e depois da África subsaariana, por vezes recrutados pela indústria em função de critérios físicos. Seus filhos e netos se criaram numa sociedade em crise, atingida pelo desemprego e pela precariedade crescente das quais eles são as principais vítimas e que diminuem suas chances de ascensão social. Ainda que alguns se elevem à classe média, e mesmo a níveis superiores, eles permanecem pouco representados nas esferas mais altas.2 Frequentemente atacados pelos meios de comunicação e pelos líderes políticos, os estrangeiros e os franceses muçulmanos têm poucas armas para se defender na arena pública, o que permite que o discurso xenófobo funcione com força total. Não é, aliás, um acaso que os roms, grupo mais desprovido de recursos para se opor aos discursos estigmatizantes, sejam alvo de ataques ainda mais rudes, desde Jean-Marie Le Pen, que julga que a presença deles “cheira mal e dá coceira”, até Manuel Valls, segundo o qual “os roms não podem se inserir na França, em sua maioria” e têm, portanto, “vocação para voltar para casa”.

 

A condição social

A situação atual dos judeus e dos muçulmanos faz eco, em alguns aspectos, à dos imigrantes russos e armênios no entreguerras. Os russos emigraram para a França após as revoluções de 1905 e, sobretudo, de 1917; seu número se elevava a 72 mil em 1931. A maior parte trabalhava na indústria automobilística ou como motoristas de táxi e pertencia às categorias populares. Mas o grupo contava igualmente com uma elite, com frequência oriunda da nobreza ou da burguesia: pintores, jornalistas, editores, escritores tão bem inseridos no meio cultural parisiense que impulsionaram uma “moda russa” nos anos 1920. O conjunto do grupo desfrutou esse sucesso, beneficiando-se de um “tratamento de favor”3 que o colocou ao abrigo das estigmatizações que atingiram outros imigrantes.

Os armênios, por exemplo. Chegados à França após o genocídio de 1915, eles ocuparam quase exclusivamente postos não qualificados. Ainda que pouco numerosos (17 mil em 1931), foram imediatamente julgados “inassimiláveis”. “Se os russos estão longe do povo francês sob vários aspectos, eles têm em geral um nível cultural que permite contatos. Com os armênios, mesmo esse contato é difícil”,4 considerava Georges Mauco, a cabeça pensante das políticas migratórias durante os anos 1930 e sob o regime de Vichy. Assim, a condição social determinou poderosamente a percepção dos migrantes, como a de seus descendentes, pela blindagem institucional que ela proporciona a uns e da qual priva outros. No entanto, há trinta anos esse entendimento está cada vez menos mobilizado: prefere-se a ele uma análise cultural, que considera os problemas dos imigrantes segundo critérios de origem.

A guinada veio entre 1977 e 1984. Durante as três décadas precedentes, a temática da imigração estivera presente nos discursos públicos. Os meios de comunicação evocavam os estrangeiros incidentalmente quando falavam de habitação, emprego e economia. Longe de suas posições dos anos 1930, a direita saudava então a contribuição dos trabalhadores estrangeiros. Assim, após a morte de cinco operários africanos asfixiados durante o sono pela fumaça de um fogo mal apagado num lar de Aubervilliers, o Le Figaro explicou, num tom que hoje ele não exibe mais: “Quem se preocupa com a saúde desses desafortunados transplantados? Eles limpam as ruas quando as sarjetas estão geladas, depois tentam triunfar sobre a tuberculose que os mina ou sobre o óxido de carbono! Eis a sorte desses deserdados. É preciso aplicar com urgência um remédio para isso”.5

A situação mudou com a crise econômica em 1975 e mais ainda após a eleição de François Mitterrand para a presidência da República. Em menos de três anos, a questão dos “trabalhadores imigrantes” cedeu lugar ao “problema dos árabes” da “segunda geração” e, por ricochete, dos muçulmanos. Eventos que outrora eram analisados de maneira social passaram então a ser abordados por um viés étnico.

 

Passagem às origens culturais

Em julho de 1981, jovens enfrentaram a polícia no bairro de Minguettes, em Vénissieux, na periferia de Lyon.6 Foi como em 1976 e em 1979, mas, naquela época, a imprensa local tinha restringido o caso à seção de “amenidades”. Tendo passado para a oposição, a direita decidiu dessa vez aproveitar o evento para enfraquecer o novo governo, que acabava de regularizar 100 mil clandestinos. Assim, ela transformou esses enfrentamentos em fato social, mostrando o “problema da imigração”, ainda mais porque se podia ver nisso o resultado da degradação física e social dos grandes conjuntos de habitações sociais ou a ociosidade dos jovens num contexto de desemprego endêmico e de “inatividade” maciça. “Nos bairros com forte densidade de pessoas provenientes do Magreb, a situação se tornou explosiva. O governo, ao interromper as expulsões de indivíduos duvidosos, encoraja, portanto, os delinquentes”, escreveu o Le Figaroem 7 de julho de 1981. Desde então, o que o historiador Gérard Noiriel chama de “filão nacional-securitário” passou a ser explorado sem trégua por esse jornal, que denunciou as regularizações dos sem documentos, escancarando “a porta de nosso país para a invasão e a aventura” (22 set. 1981), os “bandos de loubards[‘manos’] […] essencialmente de origem magrebina” (5 jul. 1982) ou ainda a “lei dos imigrantes” que regeria o bairro de Minguettes (22 mar. 1983).

 

Esse discurso se tingiu de uma coloração religiosa no momento das greves na indústria automobilística – um setor duramente atingido pela crise, no qual a mão de obra estrangeira constitui mais da metade dos efetivos. O movimento começou no outono francês de 1981 e atingiu seu ponto culminante em 1983-1984. Aquilo que no começo não passava de um simples conflito trabalhista, lembrando em certos aspectos o movimento de greve espontâneo que nascera da vitória da Frente Popular em 1936, era então apresentado como um enfrentamento cultural. Sob o pretexto de que eles exigiam, entre outras coisas, a abertura de salas de oração nas fábricas – uma prática encorajada pelo patronato nos anos 1970, que via nisso um meio de assegurar a paz social7 –, o governo e a imprensa acusaram os grevistas de serem manipulados pelos aiatolás iranianos. Esses trabalhadores são “estimulados por grupos religiosos e políticos cujos motores têm pouco a ver com as realidades sociais francesas”, explicou o primeiro-ministro, Pierre Mauroy, em 11 de janeiro de 1983.

 

Um círculo vicioso

Mesma conversa noFigaro, que acrescentava: “Os mais otimistas contam com as faculdades de assimilação das populações estrangeiras, como ocorreu no passado com as colônias italianas e portuguesas. Mas o exemplo, infelizmente, não é mais válido. A origem cultural da nova imigração constitui um obstáculo difícil de superar”. Só que os portugueses nem sempre foram bem-vistos pela imprensa. Por muito tempo suas práticas religiosas ostensivas e impregnadas de superstição lhes foram reprovadas, a ponto de eles terem sido descritos, no entreguerras, como uma “raça exótica”, mais difícil de integrar que os italianos8 – os quais foram, antes, julgados menos integrados que os belgas…

Quando não se alinhava com a posição de seus adversários, a esquerda dos anos 1980 respondia aos ataques contra a imigração magrebina valorizando a “cultura beure [magrebina]”, retomando, de maneira inversa, o discurso culturalista da direita. O Libération, que desempenhou um papel ativo nessa empreitada, abriu a partir de setembro de 1982 uma seção “beur”, que informava sobre os acontecimentos artísticos que supostamente poderiam interessar aos membros dessa “comunidade”. Depois, o diário apoiou ativamente a Marcha pela Igualdade contra o Racismo, que ele rebatizou de Marcha dos Beurs, e acompanhou a criação do SOS Racismo, contribuindo para deslocar o olhar da luta pela igualdade para o da luta contra as discriminações. O Le Monde ficou feliz com o fato de que “as crianças da segunda geração imigrada se apoderam da canção, do cinema, do teatro” (4 jul. 1983), enquanto a semanal Marie Claire celebrava o “creme dos beurs” (abr. 1984). Mas, se a cultura da elite ganhava em legitimidade, a base, cujas condições de existência se degradavam em acordo com a desindustrialização, permanecia estigmatizada.

Em menos de três anos, o debate sobre a imigração foi esvaziado do conteúdo social. Depois dessa reviravolta, os estrangeiros e seus descendentes eram o tempo todo lembrados de sua “comunidade”, sua religião, seu risco de acentuar o fosso entre os franceses “autóctones” de um lado, os imigrantes e seus descendentes de outro. Os temas diretamente ligados à imigração (o racismo, as discriminações etc.) eram abordados como problemas culturais, atentando para as origens das pessoas em questão; qualquer que fosse sua causa, todo evento geopolítico, social ou mesmo esportivo que envolvesse uma maioria de atores de origem árabe ou muçulmana revivia invariavelmente o debate sobre o islã, a imigração e o lugar destes últimos na República: Guerra do Golfo, atentados de 11 de setembro de 2001, conflito israelo-palestino, enfrentamentos entre jovens e policiais na periferia, jogadores de futebol de origem argelina se abstendo de cantar a Marselhesa etc.

No entanto, o sentimento de pertencer a uma “comunidade” árabe ou muçulmana não é um dado natural. Ele se construiu ao longo desses acontecimentos que enviam as populações imigradas a suas origens. Nesse sentido, a Guerra do Golfo (1990-1991) teve um papel fundador. Enquanto os bombardeiros aliados decolavam para Bagdá, alguns alunos de faculdade e do ensino médio denunciavam a dominação do Ocidente e exibiam sua solidariedade com o mundo árabe. “Saddam é um árabe exposto ao ostracismo de todos, como nós em nossos bairros. Por uma vez, não sentimos humilhados, mas defendidos”, declarava então um estudante do ensino médio.9 Essas reações, muito minoritárias, logo desencadearam um debate sobre a lealdade dos filhos de imigrantes. “Seja o que for que se faça, seja o que for que se diga, o beur de Saint-Denis se sentirá sempre mais próximo de seus irmãos que vaiam a França nas ruas de Argel e de Túnis”, escreveu o Le Figaro Magazine (25 jan. 1991). Por reação, os filhos de imigrantes reafirmam suas origens e sua religião estigmatizadas. Segundo os sociólogos Stéphane Beaud e Olivier Masclet, essa guerra desempenha “um papel importante na construção de uma consciência mais ‘racial’ que social entre os filhos de imigrantes magrebinos, especialmente inclinados a pensar a sociedade sob a forma de oposições sucessivas – eles/nós, ocidentais, árabes, franceses/imigrantes, ricos/pobres etc. – que são eles próprios marcados por sua experiência de diversas formas de relegação”.10

 

Dois problemas indissociáveis

A ideia de que as populações árabe e negra colocavam um problema inédito na história da imigração ganhou progressivamente o conjunto do espectro político. Ela dividiu até a esquerda radical, da qual algumas correntes postulam a singularidade dos imigrantes “pós-coloniais” e da maneira como eles seriam percebidos pelos “brancos”. “O tratamento das populações oriundas da colonização prolonga, sem nela se reduzir, a política colonial”, indica o chamado dos Indígenas da República lançado em 2005. “É como árabes, como negros ou como muçulmanos que as populações originárias das antigas colônias são discriminadas e estigmatizadas”,11 explica Sadri Khiari, um dos fundadores do movimento. Segundo ele, a “violência específica da qual negros e árabes são objeto ou que eles carregam na memória como descendentes de colonizados e emigrantes-imigrantes […] determina reivindicações que só pertencem a eles, como aquelas relativas às discriminações raciais, ao respeito a seus pais ou, para os muçulmanos, ao direito de ter lugares de oração dignos e de usar o véu. Na realidade, mesmo quando suas exigências são idênticas àquelas de seus vizinhos brancos, ainda assim elas são diferentes”.12

Esse discurso, que contribuía para colocar em concorrência causas legítimas (a dos “brancos” e a das “minorias”), se apoiava num postulado discutível: se os negros e os árabes são discriminados, isso acontece essencialmente em função da cor de sua pele ou pelo fato de eles serem pobres? O exemplo das “abordagens pela aparência”, na origem de frequentes enfrentamentos entre jovens e policiais, esclarece a problemática. Em 2007-2008, dois sociólogos seguiram discretamente patrulhas de polícia nas vizinhanças das estações de metrô Gare du Nord e Châtelet-Les Halles, em Paris.13 Examinando cuidadosamente 525 abordagens, eles constataram que as pessoas identificadas como “negras” ou “árabes” tiveram respectivamente 6 e 7,8 vezes mais riscos de serem abordadas que os brancos. Mas outra variável se mostra igualmente determinante: a aparência decorrente das vestes. As pessoas vestidas com um “traje jovem”, em particular aquelas que exibiam um “look hip-hop”, apresentavam 11,4 vezes mais risco de serem abordadas que aquelas que vestiam uma “roupa do dia a dia” ou “descontraída”. Em outras palavras, um branco com um blusão de moletom e um boné – o uniforme da juventude popular da periferia – estava mais exposto à repressão policial que um negro de terno e gravata.

Evidentemente, a fronteira entre essas variáveis não é estanque. A juventude de origem imigrante é super-representada na população que exibe um “look hip-hop”. As discriminações raciais se juntam às desigualdades sociais para reforçá-las, tornando esses dois problemas indissociáveis. A escolha de insistir sobre esse ou aquele critério –a cor da pele ou o pertencimento a classes populares – é ao mesmo tempo política e estratégica. Ela participa da definição das fraturas da sociedade francesa. Ressaltar o componente social das desigualdades permite combater a ideia de que as populações de origem magrebina e africana constituiriam um problema específico, totalmente distinto das ondas migratórias precedentes e das classes populares em seu conjunto.

ASCENSÃO DA INTOLERÂNCIA

Os atentados de Paris foram seguidos de numerosos atos e ameaças contra muçulmanos. Desde 2007, há um forte aumento dessas ações e daquelas visando os judeus. Em seu último relatório, a Comissão Nacional Consultiva de Direitos Humanos (CNCDH) assinala a persistência dos preconceitos raciais e uma elevação preocupante da intolerância. Ao agregar as respostas a uma série de questões, a comissão calcula a imagem de diversas minorias. A CNCDH revela que as expressões racistas “banalizam-se sobre um pano de fundo de ciberanonimato, do debate sobre os limites do humor e de um olhar de desconfiança em direção ao discurso antirracista, percebido como censor”. Os roms, os muçulmanos e os árabes são os principais alvos da recrudescência da violência. Essa pesquisa mostra que a tolerância cresce em função do nível educacional e que ela é mais forte entre os eleitores de esquerda, bem como, em linhas gerais, entre aqueles de centro. A comissão recomenda o investimento em educação para forçar o recuo dos raciocínios simplistas.

Benoît Bréville é Jornalista e integra a redação do Le Monde Diplomatique França.



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