A estranha contorção da economia chinesa
Apesar dos resultados extraordinários apresentados pelos carros-chefe do desenvolvimento chinês, um fenômeno ameaça emperrar todo o sistema econômico nacional: a “involução”. O termo designa uma forma de concorrência desenfreada, geradora de inovação, mas deletéria, com efeitos negativos tanto para os negócios como para a sociedade. Um perigo suficiente para que Pequim passe a fazer da luta contra a involução uma prioridade
Em 2025, a economia chinesa registrou um novo recorde de exportações. A Bloomberg News antecipa que o excedente comercial deste ano será de US$ 1,2 trilhão:[1] algo sem precedentes. Esse desempenho explica-se não apenas pela consolidação da dominação do país nos setores em que dispõe de vantagens concorrenciais históricas (têxtil, aço, smartphones), mas também pela aceleração das exportações de tecnologias ditas “verdes”. Começando pelos automóveis elétricos, os painéis solares e as baterias de lítio, que as autoridades chinesas chamam de os “três novos produtos” e consideram destinados a tornar-se indispensáveis no âmbito da “transição ecológica” planetária (ver o artigo na pág. 12). Do ponto de vista das capitais ocidentais, esses resultados seriam explicáveis por uma estratégia fundada no que Chrystia Freeland, ex-ministra da Economia do Canadá, qualificou em 2024 como uma “política intencional de sobrecapacidade dirigida pelo Estado”:[2] uma política destinada a impulsionar a competitividade das empresas facilitando o dumping…

