A existência em si do povo palestino está em jogo
Após dois meses e meio de bloqueio total e em violação ao direito internacional, Israel autorizou a entrada, a conta-gotas, de ajuda humanitária em Gaza. Sem nenhuma proporção em relação às necessidades, essa decisão não conseguirá impedir o avanço da fome no enclave. Sob intensa pressão militar, o destino da população oscila entre uma grande hecatombe e a expulsão
Oito membros do Crescente Vermelho [a Cruz Vermelha nos países de maioria muçulmana] palestino, seis da Defesa Civil e um funcionário das Nações Unidas foram abatidos pelo Exército israelense perto de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 23 de março, antes de serem enterrados em uma vala comum. Esses trabalhadores humanitários eram claramente identificáveis: trajavam coletes refletivos e circulavam em três ambulâncias com as cores da organização, num caminhão de bombeiros e num veículo da ONU. Desde o início da guerra, em outubro de 2023, mais de quatrocentos profissionais de ajuda humanitária e 1.300 trabalhadores da saúde foram mortos. Para esses socorristas, não há local mais letal que Gaza. O artigo 8º do Estatuto de Roma, que instituiu a Corte Penal Internacional (CPI), qualifica como crime de guerra “o ato de dirigir intencionalmente ataques contra o pessoal, as instalações, os equipamentos, as unidades ou os veículos empregados…

