Argentina e seu destino latino-americano
O consumo por vezes desenfreado da classe média e a diminuição do desemprego convivem com a crise de setores menos favorecidos e com um novo fenômeno: o trabalhador pobre. Um quadro social que aproxima a Argentina de outros países da região, com subemprego, trabalhadores que buscam outra ocupação e alta informalidade
“Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, escreveu Liev Tolstói no início de Anna Karenina. Algo da poderosa imagem criada pelo famoso escritor russo descreve a Argentina do presente. Um país cada vez mais dualizado, que em meio a um processo inflacionário vive uma espécie de dissociação. Um setor da população que gasta e consome até doer: restaurantes e teatros cheios em que se podem ver longas filas e reservas completas nos principais polos gastronômicos; hotéis lotados (2,5 milhões de pessoas viajaram na temporada de inverno, estabelecendo um novo recorde) e 500 mil ingressos vendidos para as dez apresentações da banda Coldplay no estádio do River Plate. Por outro lado, os setores mais pobres vivenciam a incerteza da vida cotidiana; salários, pensões e auxílios sociais estão cada vez menores e o mês torna-se eterno. Falta salário, sobra mês.…

