Conquistas e decepções do governo de Gustavo Petro
Em muitos Estados da América Latina, o vento da vitória infla as velas da direita. Já Gustavo Petro, ao fim de quatro anos turbulentos à frente da Colômbia, avançou com reformas sociais, mas não conseguiu a paz com as guerrilhas. O balanço de seu governo permitirá ao candidato Iván Cepeda manter o país no campo progressista?
Primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, Gustavo Petro tomou posse em 7 de agosto de 2022. Imperativa, sua ordem ressoou no ambiente: “Tragam-me a espada de Bolívar!”. Quando, alguns minutos depois, a preciosa relíquia do herói das lutas de independência latino-americanas foi colocada diante dele, o novo chefe de Estado se dirigiu à multidão de apoiadores: “É a espada do povo, e é por isso que a quisemos aqui, neste momento e neste lugar”. Comentários inflamados acompanharam o acontecimento. Depois de décadas de conflito armado interno (450 mil mortos), dos anos de uribismo – a extrema direita de Álvaro Uribe (2002-2010) e de Iván Duque (2018-2022) – e da formidável explosão social de 2021, o desigual modelo político-econômico finalmente iria prestar contas.[1] Como político experiente, tendo sido deputado, senador e prefeito de Bogotá, Petro logo esfriou o entusiasmo, que considerava desmedido: “Vamos desenvolver o capitalismo. Não porque o sistema…

