Um luto subversivo na Tunísia

“Não será fácil substituir um homem como eu. No plano sentimental, existem entre o povo tunisiano e eu quarenta anos de vida passados juntos, de sofrimentos vividos em comum, o que não existirá com o meu sucessor.” Pronunciadas em 1972, essas palavras nada modestas do ex-presidente da Tunísia, Habib Burguiba, encontraram, desde o anúncio de …

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A sina da instabilidade

A Guiné-Bissau é um país em decomposição política e econômica, e está entre os menos avançados do mundo. O golpe de Estado do dia 14 de setembro significa o coroamento de um lento processo de decomposição política e econômica. Com perspectivas de um futuro promissor por ocasião de sua independência, em 1973, o país se …

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O genocídio programado e a cegueira internacional

Um milhão de mortos em cem dias sem o mundo ficar sabendo de nada? Desde a independência, em 1962, quem se interessava por Ruanda sabia que o fogo não estava extinto. Ainda em 1959, os hutus,1 apoiados pelos belgas que apostaram no fato de serem eles a maioria étnica, expulsaram do país mais de 300 …

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Investigação sobre o massacre de Darfur

Dois milhões de pessoas abandonaram a região de Darfur (noroeste do Sudão) desde 2003; e 250 mil desde agosto de 2006. O vizinho Chade desestabilizou-se com a chegada de 250 mil refugiados. Em quatro anos, o conflito teria causado 400 mil mortes. As equipes humanitárias das Nações Unidas e de organizações não governamentais (ONGs) tiveram …

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As bases sociais da explosão

Três dias após eleições históricas realizadas num clima de perfeita calma – nas palavras do embaixador norte-americano em Nairóbi, Michael Ranneberger –, o Quênia pegou fogo. O anúncio dos resultados, manipulados em favor do presidente Mwai Kibak,1 provocou imediatamente mais de setecentos confrontos. O incêndio espalhou-se rapidamente e a violência cresceu. A polícia, autorizada a …

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Transição de alto risco

Com a adoção, em março de 2003, de uma Constituição de transição, a República Democrática do Congo (RDC) deu início a uma fase de alto risco para o processo de paz aberto em Lusaka (Zâmbia), em julho de 1999. A lei fundamental, que prevê eleições gerais em 2005, é o resultado dos acordos de Pretória …

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A arma da informação e debate

As grandes epidemias sempre foram consideradas como uma agressão vinda do exterior. A emergência da aids não é exceção. Antes que a África fosse considerada como seu “berço” e que certos países exigissem um atestado para a emissão de vistos de entrada, os Estados Unidos tinham estigmatizado os haitianos como um grupo particularmente exposto. Nos …

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A luta contra o apartheid sanitário

Quando o convidado de honra daquela manhã pede que falem sobre a aids, as crianças da escola primária de Dobsonville, em Soweto, apressam-se em responder: “É um vírus!”, responde um deles. “As pessoas ficam magras e depois morrem”, responde outro. “É preciso usar preservativos”, continua um terceiro enrubescendo. Já há vários meses, uma pichação no …

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Raízes do caos na saúde pública na África

  Os dados epidemiológicos relativos ao continente africano (que são incompletos e estão longe da realidade) mostram taxas de mortalidade nitidamente mais elevadas que no resto do mundo. E não se trata somente de patologias específicas como a aids ou a malária, que recebem sempre atenção total da imprensa, mas muito mais de uma situação …

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As vítimas da Big Pharma

Em março de 2005 os testes clínicos com o Tenofovir®, um antiviral utilizado no tratamento da aids, foram suspensos na Nigéria, por motivo de problemas éticos graves. Conduzidas pela associação Family Health International (Saúde da Família Internacional), sob responsabilidade do laboratório norte-americano Gilead Sciences, essas experiências foram financiadas pelo governo dos Estados Unidos e pela …

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A África enfrenta o êxodo de médicos

A cada ano 20 mil profissionais da área da saúde (médicos, enfermeiras, parteiras etc.) emigram da África para a Europa ou América do Norte. Há mais médicos do Bênin na França do que em seu país de origem. Portanto, levando-se em conta a desastrosa situação sanitária do continente, estima-se que seria necessário formar 1 milhão …

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As máscaras de Tony Blair

Fazer que a pobreza pertença apenas ao passado da África, e isso graças a um “plano Marshall moderno”: essa foi a ambição demonstrada pela cúpula do G8, realizada em Gleneagles (Escócia) de 6 a 8 de julho de 2005. Nada foi esquecido para pôr em cena tal mudança. O primeiro-ministro britânico Tony Blair, anfitrião da …

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A terceira pilhagem do Congo

Magros, rostos esbranquiçados pela poeira, os mineiros cantam com voz forte “esta é a terra de nossos ancestrais, seu cobre é nosso”. Vociferando, homens e crianças cercam as delegações que se sucedem no sítio mineiro de Ruashi, próximo a Lubumbashi, na República Democrática do Congo (RDC). Mwambe Kataki, Remy Ilunga e Pierre Kalume, homens outrora …

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Os desafios do continente africano para os objetivos do milênio

Dois mil e dez foi o ano comemorativo do cinquentenário da independência de muitos países da África Subsaariana. Tanto no continente africano como nas antigas metrópoles, como França e Bélgica, o clima geral foi de festas, lamentações e reflexões. Aproveitou-se para fazer um balanço crítico, não apenas para os dezessete países da África que obtiveram …

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A África sonha com a “segunda independência”

“O maior símbolo da modernidade angolana está em construção.” É assim que as incorporadoras do país se referem à Torre Angola, que em breve dominará o horizonte de Luanda. Lançada em janeiro passado, terá a forma da letra “A” e será a mais alta do continente africano, com 380 metros. São setenta andares, que abrigarão …

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Decadência dramática dos Estados africanos

A destituição do presidente Henri Konan Bédié pelos militares da Costa do Marfim lembra, mais uma vez, que um golpe de Estado é geralmente consequência, certamente lamentável, de graves obstáculos institucionais, impasses políticos, ilegitimidade dos dirigentes, fracasso de processos de sucessão, falência das elites e, mais intensamente, de má administração e um serviço público arruinado. …

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Petróleo, miséria e sonhos em Luanda

 “O maior símbolo da modernidade angolana está em construção.” É assim que as incorporadoras do país se referem à Torre Angola, que em breve dominará o horizonte de Luanda. Lançada em janeiro passado, terá a forma da letra “A” e será a mais alta do continente africano, com 380 metros. São setenta andares, que abrigarão …

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Radicalismo de fachada

À primeira vista, a causa parecia justa: desde fevereiro de 2000, ex-combatentes da guerra contra o antigo regime racista do Zimbábue iniciaram a ocupação selvagem de propriedades de fazendeiros brancos, que até hoje detêm a maioria das melhores terras do país. A recuperação dessas áreas foi, inclusive, a principal reivindicação durante a luta pela independência. …

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África: desafios da democracia e do desenvolvimento

Desde meados de dezembro de 2010, quando as mobilizações populares ganharam as ruas da Tunísia, estamos assistindo, surpresos, a um crescente número de revoltas populares no Norte da África. Elas atingiram o Egito, a Líbia, o Marrocos, e estenderam-se para a Costa do Marfim… Há sinais de que essas manifestações se propagam para outros países …

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