UCRÂNIA

Frente interna, guerra externa

Escolher um inimigo interno permite a um dirigente contestado identificar seus rivais políticos como subversivos, agitadores e agentes a serviço de estrangeiros. Mas também lhe é útil designar um inimigo externo e fingir estar reagindo às suas ameaças: arvorando-se de defensor dos interesses superiores da nação, ele ganha em majestade. Segundo os ocidentais, uma tal chave de interpretação explicaria ao mesmo tempo que Vladimir Putin tenha empreendido uma repressão feroz de seus oponentes e reclamado dos Estados Unidos garantias de segurança com tanta brutalidade que não foi atendido, embora seu pedido fosse legítimo (ver artigo na pág. 16). Sendo assim, caso seja necessário encontrar um presidente interessado em jogar uma queda de braço diplomática para remediar sua impopularidade, Joe Biden estará pelo menos tão credenciado quanto seu colega do Kremlin... A imprensa norte-americana, cujas análises são imediatamente retomadas pela mídia francesa, nos explica que “uma Ucrânia democrática bem-sucedida representaria uma…

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