Afirmação da soberania e a trégua com Trump
O Brasil não apenas voltou à cena internacional, mas também é um país soberano com voz ativa nos principais assuntos

O Brasil não apenas voltou à cena internacional, mas também é um país soberano com voz ativa nos principais assuntos
Sobre a mesa desse debate há uma proposta, construída pela sociedade civil, de criação de um Conselho Brasileiro de Política Externa, com caráter consultivo (cujas decisões, portanto, não vinculam legalmente o Poder Executivo) e integrado de maneira paritária por representantes de diversos ministérios e variados setores da sociedade civil
É fundamental reconhecer que a mídia se estabeleceu como um instrumento das elites dominantes, majoritariamente promovendo ideias liberais
A guinada ultraconservadora na política externa brasileira do governo Bolsonaro constituiu um significativo afastamento dos pilares por meio dos quais o Brasil acumulou um capital diplomático ao longo dos anos. Não à toa, vencidas as tensas eleições, o governo Lula direciona muita energia à política externa como parte central de seu projeto de reconstrução da democracia
Por que Lula muitas vezes escala o tom de suas declarações de improviso em temas internacionais e age como um líder global que quer disputar a opinião pública e não como um presidente da República mais contido e protocolar?
Com visão, planejamento estratégico e investimento em áreas-chave, o Brasil poderá cumprir sua promessa como uma voz influente no cenário internacional
Aliança simboliza o esforço do atual governo brasileiro de retomar uma política externa ativa e representa uma renovação do principal objetivo da política externa energética estabelecido nos dois primeiros mandatos do presidente Lula: a criação de um mercado internacional de biocombustíveis
É sintomático que as palavras de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU tenham servido para marcar as profundas diferenças em relação ao seu antecessor, bem como para evidenciar a volta do Brasil como ator de destaque na complexa dinâmica da política internacional
O contraste entre a política externa de Lula III com a diplomacia de Bolsonaro é brutal. A gestão alucinante de Ernesto Araújo e o reacionarismo manso de Carlos Alberto França saíram de cena, e o bordão “O Brasil voltou” é plenamente justificável. No entanto, ambiguidades na condução dos negócios externos colocam em dúvida a existência de um projeto definido na área
Retomar o protagonismo do Brasil nas relações internacionais não será uma tarefa fácil, mas o empenho do atual governo tem sido intenso nesse sentido. Como é possível notar nestes primeiros meses de governo, a diplomacia presidencial é um ativo precioso da atual política exterior e vem sendo usada por Lula para reposicionar o país no cenário internacional
Com o retorno de Lula à Presidência, a geopolítica latino-americana deve se modificar em virtude da retomada brasileira da prioridade em termos de integração regional
País vive momento oportuno para se recolocar como ator relevante nas relações internacionais