Uma implacável lógica de expulsão
As retaliações cegas de Israel em resposta aos massacres cometidos pelo Hamas em seu território devastaram Gaza. Além dos milhares de mortos e feridos, agora há o risco de um deslocamento em massa dos palestinos para o Egito
É um lugar-comum dizer que é mais fácil começar uma guerra do que terminá-la. A guerra que Israel empreende na Faixa de Gaza já promete ser uma ilustração particularmente convincente dessa máxima. Para a extrema direita israelense, dominante no governo formado por Benjamin Netanyahu no fim de 2022, a operação Al-Aqsa Flood, lançada pelo Hamas no dia 7 de outubro, proporcionou a oportunidade ideal de executar seu projeto de um Israel Grande, cobrindo a Cisjordânia e Gaza, ou seja, a integralidade da Palestina sob o mandato britânico (1920-1948). A origem político-ideológica do Likud, que Netanyahu lidera ininterruptamente desde 2005 (ele já tinha sido seu dirigente pela primeira vez entre 1996 e 1999), é constituída por um ramo de inspiração fascista conhecido como Sionismo Revisionista, que nasceu no entreguerras. Antes da fundação do Estado de Israel, essa corrente militava para incluir no projeto de Estado sionista a totalidade dos territórios sob…

