Nem todas as mulheres dos Estados Unidos são Hillary Clinton... - Le Monde Diplomatique

DESIGUALDADE DE GÊNERO

Nem todas as mulheres dos Estados Unidos são Hillary Clinton…

novembro 3, 2016
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Misógino contumaz e cercado de acusações de assédio sexual, Donald Trump afastou de si boa parte do eleitorado feminino. Aproveitando-se dessa impopularidade, Hillary Clinton apresenta-se como um modelo às mulheres em busca de emancipação. No entanto, a igualdade de gênero permanece um distante horizonte nos EUAFlorence Beaugé

 

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Quando ela se inclina, a blusa se entreabre e podemos ler em seu colo: “Ela acreditou que era capaz, então fez”. A tatuagem é sua oração. Após vários anos trabalhando na administração pública e ganhando mal por falta de diploma, Tiffany Runion decidiu retomar os estudos. Matriculou-se na Universidade de Toledo, uma pequena cidade de Ohio, no meio-oeste dos Estados Unidos, e foi estudar Sociologia, com habilitação em gender studies (estudos de gênero). Após cinco anos de trabalho duro, muito sacrifício e uma dívida que a perseguirá por muito tempo, ela agora tem uma profissão – assistente social – e projetos. Runion é uma emblemática representante dos millennials (geração do milênio), cujas mulheres entre 16 e 36 anos fizeram Gloria Steinem – um ícone dos direitos das mulheres – dizer: “Essas são as novas feministas!”.
Ela teve de se tornar mãe para entender o que é a “exceção norte-americana”. Não há licença-maternidade. Não há creches públicas. Não há nenhuma estrutura de guarda de crianças pequenas (a escola pública só as recebe a partir dos 5 anos de idade). E direitos – ao aborto, especialmente – sempre podem ser postos em questão. Runion engasga ao listar tudo o que está errado para as mulheres nos Estados Unidos: “O país mais poderoso do mundo não é capaz de cuidar de seus cidadãos, isso é revoltante!”.
“Aqui, podemos dirigir. Não somos obrigadas a ter um homem ao lado para sair, viajar, trabalhar ou ir ao médico. Podemos estudar sem medo de ser atacadas. Não somos forçadas a nos casar na adolescência”, enumera Jessica Ravitz, jornalista especializada em questões sociais para a rede CNN. “Preferimos ver os Estados Unidos como um exemplo. Mas, em muitas áreas, estamos atrasados no que diz respeito às mulheres.”

Recorde de mortalidade materna
Dois pontos sensíveis costumam ser mencionados: o acesso desigual à saúde e o salário mínimo. Nos Estados Unidos, a taxa de mortalidade materna é a mais alta do mundo desenvolvido. Longe de diminuir, ela mais que dobrou desde o fim dos anos 1980. De acordo com a organização Black Women’s Roundtable, o número de mulheres afro-americanas mortas por complicações na gravidez ou no parto é de 42,8 para cada 100 mil nascidos vivos. Entre as brancas, a taxa é menor, mas ainda elevada: 12,5, contra 9,6 na França e 4 na Suécia. Segundo Terry O’Neill, presidente da National Organization for Women (NOW), esse recorde “aterrador” está relacionado à falta de seguro-saúde para um grande número de mães, nem ricas o bastante para pagar por ele nem pobres o suficiente para ter acesso gratuito ao serviço de saúde. Embora sejam quase metade da força de trabalho nos Estados Unidos, as mulheres representam dois terços do universo de trabalhadores que recebem apenas o salário mínimo federal, congelado em US$ 7,25 por hora desde 2009.
Há apenas quatro países em todo o mundo que não garantem licença-maternidade remunerada: Suazilândia, Lesoto, Papua-Nova Guiné e… Estados Unidos. Se existe uma queixa recorrente entre as mulheres norte-americanas, é essa. Hoje, a única obrigação das empresas em nível federal é permitir doze semanas de licença (não remunerada) para mulheres grávidas, com a garantia de terem seu emprego quando voltarem.
Entre as millennials, a revolta cresce, mas não a ponto de empurrá-las para as ruas. “Nada de interferência do poder público na vida privada! Esse conceito tem uma vida difícil nos Estados Unidos”, lamenta Virginia Valian, professora de Psicologia na Hunter College, em Nova York. Mas assiste-se a uma tomada de consciência, especialmente entre a geração mais jovem. “Cada vez mais gente admite, quando questionada: ‘Esta não é a vida que eu quero’. Os homens não se atrevem a dizê-lo tão abertamente quanto as mulheres, com medo de prejudicar sua carreira, mas também pensam assim”, diz Virginia Valian. Para a cientista política Karlyn Bowman, do American Enterprise Institute, um think tank conservador, a “exceção norte-americana” deve-se principalmente à diferença de mentalidade nos dois lados do Atlântico. “Eu gosto do sistema francês, mas aqui somos muito mais individualistas. Não pedimos necessariamente a intervenção do Estado, embora tenhamos avançado nessa direção.” É verdade que a palavra “socialismo” já não provoca mais o mesmo terror de outrora. Daí, talvez, o relativo sucesso alcançado pelo candidato Bernie Sanders junto aos jovens nas primárias democratas.

Em Toledo, Meghan Cunningham, de 32 anos, explica que, sem a ajuda da família, não teria se salvado. Quando era repórter no Toledo Blade, o jornal regional, ela deu à luz em uma manhã de sábado: “Eu parei no dia anterior, na sexta-feira! Quase todas as mulheres fazem como eu: guardam o máximo de dias para o período após o nascimento, tomado principalmente de suas folgas remuneradas”. O problema é tão grande que o comediante Jon Oliver falou sobre o assunto em 10 de maio de 2015, Dia das Mães, em seu programa Last Week Tonight, transmitido pela HBO: “Elas nos deram a vida, elas nos criaram, elas fizeram de nós aquilo que somos hoje. Neste Dia das Mães, temos apenas uma coisa a lhes dizer: voltem já para sua m… de emprego!”.
No entanto, as coisas estão mudando. Ainda não em nível federal, mas em escala local. Em abril de 2016, São Francisco tornou-se a primeira cidade a obrigar as empresas a concederem seis semanas de licença-maternidade remunerada, o que entrará em vigor em 2017.1 Embora muitas empresas reclamem, outras estão interessadas em recuperar suas funcionárias após o nascimento dos filhos. Facebook, Microsoft e Yahoo, por exemplo, já oferecem dezesseis semanas de licença-maternidade paga.
Outra grande preocupação das mães norte-americanas, frequentemente citada como um obstáculo à carreira: a guarda das crianças, sobretudo seu custo. “Eu só abri os olhos quando tive minha filha. Antes, não conseguia nem identificar os problemas relacionados ao meu ‘gênero’! O jardim de infância privado é horrível, e o sistema escolar é organizado de um modo que obriga um dos pais a ficar em casa”, critica Anna Allen, nova-iorquina, chefe de uma ONG, mãe solteira de uma menina de 3 anos que ela adotou. Para cuidarem de sua filha, ela desembolsa US$ 2,1 mil por mês, o mesmo que seu aluguel. Pagos esses dois itens, não lhe sobra muito para viver. “Aqui, celebramos incansavelmente os valores da família, mas não os defendemos. Não há coerência. Na verdade, continuamos a apoiar um sistema patriarcal”, avalia.
As “questões de gênero” não são a principal preocupação de Sandra Pagan, mãe solteira de cinco filhos e moradora do Bronx. A verdadeira questão, em sua opinião, são as disparidades de classe e renda. “Como conseguir dinheiro para me virar?” Essa é a pergunta que a mulher de 38 anos, vinda de Porto Rico, faz toda manhã, quando levanta, às 5 horas, para cuidar da família antes de ir para sua lojinha de óculos. “Não importa o que eu faça, entre encargos, impostos e o cuidado dos meus filhos, meu salário inteiro se vai. Todos os dias eu me pergunto se vale a pena continuar trabalhando.” A alternativa: viver de parcos benefícios ou food stamps (cupons de alimentos).

“Muitas prefeririam ficar em casa”
É coincidência que, desde 2000, muitas venham desistindo de seu emprego? Há 25 anos, os Estados Unidos ocupavam o sexto lugar, entre os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), para as taxas de trabalho das mulheres. Hoje estão na 17ª posição.
Os candidatos democratas à Casa Branca – Bernie Sanders e Hillary Clinton – fizeram da desigualdade salarial seu tema favorito. Segundo um estudo feito em 2014 pelo Bureau of the Census, agência oficial encarregada do censo norte-americano, as mulheres ganham em média 21% a menos que seus colegas homens.2 A diferença aumenta se forem negras (36% a menos) ou hispânicas (44%). Entre as millennials, no entanto, a diferença cai para 10%, o que traz esperanças de melhoria.
Os homens não são mais graduados que as mulheres – pelo contrário –, mas monopolizam as profissões mais bem remuneradas. A população feminina continua concentrada em profissões como enfermeira, professora etc. Mas fazer carreira, para as mulheres, é uma questão de escolha? “A tese dominante é de que elas escolhem desacelerar quando têm filhos.3 Mas isso não é verdade. Na maioria das vezes, elas sucumbem à pressão dos empregadores”, responde Virginia Valian. Essa não é a opinião de Karlyn Bowman: “Muitas prefeririam ficar em casa com os filhos se pudessem”, afirma. “A demanda por jardins de infância públicos é enorme, mas eu duvido que algum dia essa medida seja tomada, pois o custo seria astronômico!”

Igualdade de sexos fora da Constituição
Nas fileiras conservadoras, ninguém está disposto a fazer concessões. A desconfiança em relação ao governo federal nunca foi tão grande. Elizabeth Bergman, de 32 anos, agricultora orgânica em tempo parcial em Ohio, assume-se republicana de coração. Ela aderiu ao Partido Libertário em 2016, por repulsa a Donald Trump. Seu temor: o aumento dos impostos. Para ela, as mulheres não têm de se queixar nos Estados Unidos. Elas são livres para fazer suas escolhas; só têm de assumi-las. “Eu voltei a estudar para ser psicóloga. Terei horários flexíveis quando tiver filhos. É uma escolha!”, insiste. “Se eu trabalhar em tempo parcial, isso afetará meu salário, é claro, mas será minha escolha!” Seria Bergman representativa de sua geração? Ela morre de rir: “Acho que não!”.
As mudanças na sociedade transformaram a condição feminina. Apenas 46% das crianças vivem com seus dois pais. As mulheres casam-se cada vez menos e cada vez mais tarde. Quando têm o primeiro filho, 70% das negras não são casadas, contra 30% das brancas. As mulheres solteiras passaram a ser mais numerosas que as casadas.
Também mais numerosas são as mulheres breadwinners (chefes de família), “seja porque criam seus filhos sozinhas, seja porque ganham mais que o cônjuge”, de acordo com D’Vera Cohn, analista no Pew Research Center de Washington. Como elas não têm medo de se fazer ouvir, os políticos ou as cortejam, ou as temem. Eles as veem como uma força política em potência. Elas não transigem, de fato, sobre algumas questões: direitos reprodutivos, igualdade salarial… E, eles também sabem, elas votam majoritariamente nos democratas.
Na política, porém, a paridade está longe de ser alcançada: o Congresso tem apenas 19,4% de mulheres eleitas. Quase todos os cargos de governador são ocupados por homens (44 de 50). Mesmo entre os prefeitos, há apenas 18,8% de mulheres dirigindo cidades com mais de 30 mil habitantes. Quando falamos desses dados, muitas de nossas entrevistadas dão de ombros. “A política, do modo como é praticada nos Estados Unidos, não me atrai. Não corresponde à minha visão de mundo”, declara Emmaia Gelman, uma professora nova-iorquina, mãe de três filhos que ela cria com sua companheira.
Outras, ao contrário, mostram uma determinação inesperada: “Um dia, serei candidata em uma eleição. Talvez para o conselho municipal”, anuncia tranquilamente Lucy Franck, de 21 anos, estudante de Ciência Política na Universidade de Toledo. Originária de Wauseon, uma pequena cidade de Ohio, ela revela que “toda sua família vota nos republicanos”. Ela conta sobre sua infância e adolescência vividas em um meio rural abertamente conservador e até mesmo racista: insultos contra os muçulmanos, proibição absoluta do aborto “mesmo em caso de estupro” e todo o peso desse meio “que rejeita qualquer questionamento a seu próprio respeito, por menor que seja”. De tempos em tempos, seu pai a adverte: “Espere um pouco, minha pequena. Com a idade, você se tornará conservadora!”.
Ser conservador não impede certas tolerâncias em Ohio. Os homossexuais ou, de forma mais ampla, lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) são aceitos, desde que “não passeiem por aí de mãos dadas”, como resume Gina Mercurio, dona da única livraria feminista em Toledo. A sala de leitura da biblioteca chama-se Steinem’s Sisters, em homenagem a Gloria Steinem, nascida em Toledo há 82 anos. Todo ano, em agosto, uma Parada do Orgulho Gay é realizada na cidade, reunindo 15 mil a 20 mil pessoas, sem maiores incidentes.
Marcy Kaptur é um modelo para muitas jovens de Toledo. Eleita pelo 9º Distrito de Ohio para a Câmara Federal, essa democrata elegante e bem cuidada de 70 anos de idade, próxima de Sanders, é a mais velha dos parlamentares. “Havia uma dúzia de mulheres eleitas no Congresso quando eu entrei. Hoje somos 104. O progresso é lento, mas constante”, assegura. Recorrer à política de cotas para acelerar o movimento? Como muitos norte-americanos, Kaptur é contrária a essa medida. “Temos espírito de competição”, argumenta. Segundo ela, o maior obstáculo quando se quer fazer política não é o sexismo, mas “o papel do dinheiro nas campanhas eleitorais”.
Embora a paridade ainda deva levar muito tempo para ser alcançada, as mentalidades estão mudando. Em 1937, dezoito anos após as mulheres conquistarem o direito de voto em nível federal, apenas 33% das eleitoras norte-americanas declaravam-se dispostas a votar em uma mulher, de acordo com uma pesquisa Gallup. Hoje, são 92%. Peter Glick, professor universitário e psicólogo, destaca, no entanto, que o sexismo está longe de ter desaparecido. “Jamais o comportamento de um Trump seria aceito em uma mulher! Os interditos impostos a elas – não ter desejo de poder, por exemplo – continuam fortes, assim como os estereótipos sobre a mulher ‘ideal’”, observa o docente de Ciências Sociais da Universidade Lawrence d’Appleton, no Wisconsin.
Essas barreiras são ainda mais altas para as afro-americanas. “O teto de vidro e a superioridade dos homens brancos, todas conhecemos isso! Mas nossa navalha tem dois fios. Somos discriminadas por sermos mulheres ou por sermos negras?”, interrogam-se Janet Charles, jurista desempregada, e Valery Bradley, que dirige uma pousada no Harlem.
O movimento feminista norte-americano contemporâneo é marcado por essa “interseccionalidade” das opressões. “Cada mulher está em uma encruzilhada de preconceitos que se multiplicam e se combinam”, constata Laurence Nardon, pesquisadora do Instituto Francês de Relações Internacionais. Roxane Gay, figura negra do feminismo norte-americano, confirma isso, a seu modo: “Nos Estados Unidos, o simples fato de ser qualquer coisa diferente de um homem branco saudável de classe média já é um desafio”.
“As mulheres negras sofrem de um sexismo sem proporção”, lembra Celia Williamson, pesquisadora da Universidade de Toledo, conhecida pela luta contra o tráfico de seres humanos, e ela mesma mestiça. “No geral, as coisas estão melhores para as mulheres, especialmente quando elas são graduadas. Mas, para aquelas que são pobres e negras, não, as coisas não vão bem.” Morgan Newton, estudante negra, confirma desiludida: “Eles nos dizem: ‘Se você se esforçar, alcançará o sonho americano’, mas nós estamos afogadas em dívidas e nossas famílias são dizimadas pela prisão e pelas drogas. Além disso, a qualquer momento um policial pode nos ferir ou nos matar porque somos negras…”. Nem ela nem Celia Williamson leram Ta-Nehisi Coates. No entanto, o que dizem ecoa, quase palavra por palavra, aquilo que esse jornalista negro descreveu em um livro magistral,4 que fala do medo da comunidade afro-americana diante da brutalidade policial.

As estatísticas da violência são terrivelmente eloquentes: “Uma em cada cinco mulheres é estuprada nos Estados Unidos, e uma em cada quatro é fisicamente violentada por seu parceiro”,5 indica Meghan Rhoad, responsável pelos direitos das mulheres no Human Rights Watch. A não ratificação, pelos Estados Unidos, da Convenção sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher, aprovada pela ONU em 1979,6 continua atravessada na garganta das feministas da primeira geração. Quanto mais as millennials entrevistadas dizem que essa questão “não está entre suas principais preocupações”, mais suas veteranas se ressentem. A ausência de menção explícita à igualdade entre os sexos na Constituição dos Estados Unidos é outra fonte de mágoa.7 “Para mim, é uma ferida aberta. Temos de corrigir essa lacuna, porque ela nos torna vulneráveis”, declara Teresa Fedor, democrata eleita para a Câmara dos Representantes de Ohio, antes de acrescentar, com um sorriso: “Já é hora de sermos adultas!”.
Apesar do caminho que ainda têm pela frente, as norte-americanas, em sua maioria, parecem confiantes. “Em Toledo, a prefeita é mulher. A reitora da universidade também. Em escala nacional, cada vez mais mulheres tomam o lugar dos homens que se aposentam”, observa Shanda Gore, responsável pelo programa Igualdade e Diversidade da Universidade de Toledo. Para essa afro-americana, a primeira da família a ir para a faculdade, sua mãe, que teve treze filhos, disse muitas vezes: “Você tem sorte de ser mulher hoje!”.

A popularidade dos estudos de gênero
Segundo Jay Newton-Small, jornalista da revista Time, para que as mulheres se imponham, é necessário ultrapassar a “massa crítica” de 30%. É o caso da administração pública. Ainda estamos longe disso no Congresso, embora “75% das leis mais importantes dos últimos anos tenham sido produzidas pelas 20% eleitas”, observa essa autora de um livro de sucesso.8
Em 2030, a geração dos baby boomers estará aposentada. O país vai precisar de mão de obra: cerca de 26 milhões de empregos poderão estar vagos, segundo as estimativas de Newton-Small. “Por razões econômicas, será preciso recorrer à imigração ou… às mulheres”, explica. “E, para que as coisas realmente funcionem, isso será necessário em todos os níveis.”
Ainda mais do que essas projeções, pequenos sinais indicam que os papéis são cada vez menos rígidos. O número de pais que ficam em casa (7%) quase dobrou em dez anos. Asma Halim, que leciona questões de gênero na Universidade de Toledo, tem em sua classe de sete a dez rapazes, em um total de quarenta estudantes. “A disciplina é popular. Cada vez mais rapazes fazem o curso, pois sabem que é um trunfo para trabalhar no estrangeiro ou em uma ONG, por exemplo.” No início do ano, rapazes e moças chegam à sala de aula “bastante indiferentes, ou melhor, ignorantes”. Asma Halim lhes pergunta: “Quem se considera feminista aqui?”. Em geral, metade das moças levanta a mão. Mas este ano houve “também dois rapazes”. No fim do ano, a professora fez a pergunta novamente. Dessa vez, “a classe toda levantou a mão!”.

Florence Beaugé é jornalista.



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