Os Estados Unidos têm um plano
Será que a condução errática do presidente norte-americano esconde uma coerência: uma formidável retomada do controle da economia pelo Estado, mas um Estado conduzido por banqueiros de investimento? Na verdade, Donald Trump segue a mesma estratégia de seu antecessor: organizar a soberania dos Estados Unidos em relação à China nos setores críticos da defesa e da inteligência artificial
Com Donald Trump, seria fácil confundir as gesticulações com o nó da trama. As primeiras – insultos, caprichos tarifários, tráficos de criptomoedas, melodramas ministeriais, crueldades calibradas para as câmeras – magnetizam a atenção no centro do circo. O segundo é expresso em dólares. É o maior orçamento de defesa da história dos Estados Unidos em valores nominais (próximo, em valor real, do pico anual alcançado quando o país lutava contra Adolf Hitler): US$ 1,5 trilhão. Para reunir uma quantia dessas, é preciso toda a elegância aritmética de um homem que não hesita em fazer os próprios filhos arcarem com a conta, isto é, cortar os serviços públicos que os alimentam, os educam e os tratam. Esse orçamento supostamente deve financiar a transformação estrutural do Estado norte-americano, de sua economia e de seu lugar na ordem mundial. A república abandona a máscara do livre mercado, embora a Agência de Projetos de…

