Silêncios, poder e a seletividade da indignação pública
Por que determinados escândalos parecem receber cobertura massiva, enquanto outros são tratados de forma tímida, fragmentada ou rapidamente esquecidos?
Em sociedades contemporâneas altamente mediadas, aquilo que sabemos sobre o mundo é, em grande medida, filtrado pelos meios de comunicação. A mídia não apenas informa: ela seleciona, enquadra e hierarquiza acontecimentos, definindo quais temas ocuparão o centro da esfera pública e quais permanecerão nas margens do debate coletivo. Nesse sentido, o silêncio também comunica. A recente circulação de documentos e discussões públicas envolvendo o caso Epstein recoloca uma pergunta incômoda: por que determinados escândalos parecem receber cobertura massiva, enquanto outros são tratados de forma tímida, fragmentada ou rapidamente esquecidos? A questão não se resume a um caso específico, mas revela algo mais profundo sobre o funcionamento da mídia em sociedades marcadas por fortes desigualdades de poder. A ideia de que a imprensa atua como “cão de guarda” da democracia pressupõe um compromisso permanente com a fiscalização das elites políticas e econômicas. No entanto, a realidade frequentemente revela tensões entre esse…

