Brasil como laboratório da insurreição fascista – II
Enfrenta-se o problema do fascismo brasileiro exatamente pela via que o mais alimenta: a militarização da sociedade brasileira, a segurança como registro de governo

Enfrenta-se o problema do fascismo brasileiro exatamente pela via que o mais alimenta: a militarização da sociedade brasileira, a segurança como registro de governo
Se Bolsonaro perdeu eleitoralmente, a força do fascismo está longe de recuar e ainda conduz com protagonismo o espectro político brasileiro
Como explicar que, sem apoio da mídia, de grande parte do patronato e das elites políticas conservadoras, as redes do ex-presidente Jair Bolsonaro tenham tentado um golpe no dia 8 de janeiro? Talvez pela esperança de que os militares se juntassem a eles. Apesar do fracasso do golpe, a corrente política encarnada pelo ex-presidente demonstrou que não precisa mais de seu mentor para existir
O acúmulo de fatos contra Bolsonaro indica ter ele supostamente praticado improbidade e inúmeros crimes, inclusive contra a “consciência universal” – uma catástrofe humanitária –, os quais poderão levá-lo à prisão, à inelegibilidade e à condenação a reparar danos. Mas ele e o bolsonarismo não desaparecerão
O melhor meio de enfrentar quem quer desestabilizar o funcionamento das instituições é o próprio funcionamento das instituições. Esse é o teste fundamental do estado democrático de direito. Os ataques de 8 de janeiro de 2023 não foram espontaneamente gerados, eles estão em um contexto de uma série de crimes. E é preciso entender qual é o papel de Jair Bolsonaro nesses crimes
Não foram poucos os sinais de que muitos integrantes das Forças Armadas e das polícias apoiavam os atos antidemocráticos. O bolsonarismo era e ainda é muito presente entre policiais, e a sensação de que ninguém seria punido por manifestar essa predileção era real
A vitória acachapante das forças democráticas contra o golpe bolsonarista gera dois riscos: a acomodação e a conciliação com setores que foram lenientes com o golpismo são um deles; o outro é nos contentarmos somente com a punição dos milhares de envolvidos, principalmente se o ex-presidente Bolsonaro for considerado inelegível ou mesmo preso
Após o terrorismo dos atos do 8 de janeiro, as instituições – em maior ou menor medida, espontaneamente ou sob pressão – reagiram e vem reagindo ao pior ataque já sofrido por nosso precário regime democrático, aquele duramente (re)conquistado em 1988. Boa parte dessas reações, até o momento, vêm ocorrendo no campo punitivo