O verdadeiro “Mimimi”: os identitários que nunca se nomeiam
Não se trata de perguntar por que grupos minorizados falam de si, mas por que a identidade dos grupos dominantes foi naturalizada a ponto de se afirmar constantemente universal

Não se trata de perguntar por que grupos minorizados falam de si, mas por que a identidade dos grupos dominantes foi naturalizada a ponto de se afirmar constantemente universal
A perseguição à população trans e ao identitarismo progressista desempenha papel central na estratégia da extrema direita, pois permite a criação de um inimigo interno contra o qual se mobiliza a base eleitoral. Isso se insere em um projeto mais amplo de consolidação de uma ordem hierárquica e disciplinadora, na qual determinados grupos são sistematicamente marginalizados para garantir a permanência de elites políticas e econômicas no poder
Não é de hoje que observamos lideranças e até mesmo intelectuais de esquerda, especialmente homens, colocarem em dúvida ou até mesmo em oposição as questões de classe e as pautas ditas identitárias
Se a Covid-19 mata, ela tem também outro impacto, provocando incontornáveis transformações radicais no cotidiano diante da débil capacidade de reação à pandemia. Na Argentina, o dia é pontuado pelo compartilhamento – em família, no trabalho, entre amigos – de uma infusão, o chimarrão, um ritual que a doença ameaçou. Só por um tempo…
Com raízes históricas longínquas, a linguagem identitária explodiu com as redes sociais e os canais de notícias 24 horas. Anteriormente reservada à direita, ela impregna cada vez mais os discursos de militantes e dirigentes políticos de todos os campos, a ponto de transformar a “raça” em uma variável gigantesca, que esmaga todas as outras