‘A Sina de Ofélia’ e o lucro invisível das plataformas na era da IA
Quando não há autoria humana formalmente reconhecida, quem responde pela violação – e, sobretudo, quem se beneficia economicamente dela?

Quando não há autoria humana formalmente reconhecida, quem responde pela violação – e, sobretudo, quem se beneficia economicamente dela?
A rápida difusão da inteligência artificial tem sido apresentada como um destino tecnológico incontornável. No campo educacional, porém, seu avanço está longe de ser neutro ou inevitável: suscita cautela, alarme e disputas profundas sobre seus efeitos formativos. Embora o discurso dominante celebre a IA como instrumento de produtividade e democratização do conhecimento, uma análise histórica e sociológica revela um risco distinto e mais profundo: a inauguração de um novo regime de desigualdade, menos visível e mais radical
A inteligência artificial levará o setor de energia ao superaquecimento? Os enxames de microprocessadores que impulsionam robôs conversacionais consomem, de fato, uma quantidade enorme de eletricidade. Nos Estados Unidos, investidores se lançam sobre tudo o que pode gerar corrente, e a Microsoft cogita reativar a usina de Three Mile Island, 46 anos após um dos maiores acidentes nucleares da histórica norte-americana…
A pergunta que move o livro é direta: e se algoritmos, sobretudo os algoritmos de Inteligência Artificial, produzissem algo semelhante?
A inteligência artificial é uma oportunidade para ganhar produtividade e reduzir custos, mas existe o risco de perda de empregos, desafios relacionados com os direitos de autor, dentre outros
Em tempos de IA, tem sido ainda mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do próprio capitalismo – cujo modus operandi, este sim, ameaça tanto a(o)s trabalhora(e)s quanto a natureza
O que antes habitava a ficção científica agora redefine o poder e a guerra: máquinas que decidem quem vive e quem morre
Em todo o mundo, governos despejam centenas de bilhões para desenvolver uma “inteligência artificial (IA) soberana” – um oximoro, já que essa tecnologia depende das indústrias norte-americanas. Inflada pelas tensões internacionais, a soberania tornou-se uma mercadoria que rivaliza com o ouro, as criptomoedas e os carros de luxo
No Brasil, em um país historicamente marcado por desigualdades raciais e territoriais, o “Google Zero” amplifica um problema antigo: a exclusão de vozes diversas da esfera pública
O que isso tudo tem a ver com a IA e nosso tempo atual?
Ao longo da década de 1970, o mundo do trabalho sofreu em cheio a primeira grande onda de informatização. Os documentos produzidos na época pelas principais centrais sindicais francesas atestam sua combatividade e uma crítica incisiva ao fenômeno. Meio século depois, eles nos oferecem ferramentas afiadas diante do avanço da inteligência artificial
A proposta do atual governo é de fugir da tática de domesticação da cadeia de suprimentos de IA e investir num estimulo a competitividade