Repressões contra a esquerda russa: o anarquista Azat Miftakhov
A prisão do anarquista é uma continuação da campanha repressiva contra a esquerda russa e o estabelecimento final de uma ditadura tendo como pano de fundo a guerra na Ucrânia

A prisão do anarquista é uma continuação da campanha repressiva contra a esquerda russa e o estabelecimento final de uma ditadura tendo como pano de fundo a guerra na Ucrânia
De 1932 a 1934, as grandes potências organizaram em Genebra uma conferência mundial para o desarmamento, a fim de prevenir uma deflagração geral. Conhecemos o desfecho, trágico. Um século depois, a indústria de defesa nunca esteve tão próspera. Impulsionada pela agressão russa contra Kiev, assim como pelas tensões geopolíticas na Ásia e no Oriente Médio, ela apresenta números de vendas recordes e traz felicidade aos acionistas
Os bilhões de dólares de ajuda não foram suficientes; a contraofensiva ucraniana falhou. Na esperança de manter os fluxos financeiros vindos das capitais ocidentais, Kiev retrata seu agressor como uma potência colonial que ameaçaria toda a Europa. Retornar à história do Império Russo e ao lugar singular que a Ucrânia ocupa nela é um convite para questionar essa ideia
Membro da Otan, a Estônia prevê uma invasão de seu território pelo Exército russo e entrou em acordo para empreender um grande esforço armamentista, mesmo que isso signifique agravar as dificuldades sociais e econômicas do país. Em um momento de tensão nas relações com Moscou, a minoria de língua russa do país báltico busca discrição
O emprego de tropas mercenárias pode ser eficiente e oferecer vantagens imediatas, mas, como já alertava um certo florentino, também representa graves riscos
Drone sobrevoando o Kremlin, evacuação de civis na região de Belgorod, ataque ao escritor nacionalista russo Zakhar Prilepine: em maio, a Ucrânia intensificou as operações em solo russo. Simbólicas, essas ações poderiam minar o crédito do governo Putin? Embora o efeito de união nacional provocado pela guerra permaneça, a crítica às elites também ganha terreno
O embate entre Otan e a Rússia trará como efeito uma reordenação permanente no jogo das correlações de forças geopolíticas no século XXI
“É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz”, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 14 de abril, em Pequim, durante uma visita de Estado. Tal posicionamento sobre o conflito ucraniano tem valor simbólico, em um contexto em que muitos países latino-americanos buscam se livrar da hegemonia de Washington
Invadir a terra dos czares e se tornar senhor de Moscou passando pela Ucrânia era o plano do soberano sueco no início do século XVIII. Por muito tempo, isso foi considerado um erro estratégico; depois, os especialistas em guerra se convenceram do contrário. No entanto, assim como para outros invasores posteriores, o resultado foi a derrota
Desde o século XIX, os pensadores revolucionários se perguntam sobre a oposição entre as reivindicações nacionalistas e as exigências da luta de classes. Confrontados com essa mesma questão, Vladimir Lenin e Leon Trotsky subordinavam os interesses nacionais aos do proletariado
O trigo ucraniano continuará sendo exportado pelo Mar Negro? Indispensáveis para a luta contra a crise alimentar mundial, esses carregamentos dependem de um acordo entre a Rússia e a Ucrânia assinado sob a égide das Nações Unidas e da Turquia. O bloqueio das exportações de fertilizantes russos, também indispensáveis para a agricultura mundial, ameaça esse arranjo provisório
Ao contrário do que aconteceu nas guerras do Golfo e do Kosovo, a mídia ocidental evita qualquer análise crítica sobre seu tratamento do conflito em curso. Como explicar a persistência desse silêncio um ano após a invasão da Ucrânia? A natureza indefensável da agressão russa justifica que os jornalistas assumam o entusiasmo pela guerra?