O GOLPE DENTRO DO GOLPE

O que está por trás das denúncias da Globo contra Michel Temer e seus prováveis desdobramentos

Nos últimos 65 anos, a Rede Globo ocupou o espaço de um dos principais atores políticos, sempre participando com grande poder de decisão em momentos-chaves. Com o fim do regime militar, por exemplo, teve início a luta pelas “Diretas Já” e a Globo impediu que as imagens de comícios nas ruas fossem exibidas na TV, nos seus jornais e rádios

por: Wallace dos Santos de Moraes
26 de maio de 2017
Crédito da Imagem: Reprodução

jornal nacional

Desde 2013, o Brasil vive um quadro de crise política institucional dos mais profundos. A iminente queda de Michel Temer constitui-se como apenas mais um capítulo dessa novela. Para discutirmos as denúncias contra o presidente da República e termos mais dados para análise, sem cairmos em previsões infundadas, é necessário clarear algumas constatações históricas fundamentais da política brasileira:
1) a Rede Globo é ainda hoje o principal meio de formação de opinião dos brasileiros sobre política;
2) historicamente, ela representou os interesses majoritários dos capitalistas do país;
3) desconhecemos evidência de recuo de uma proposta dela com relação à retirada de um presidente da República do seu cargo, seja através de golpe militar explícito, de golpe institucional ou de impeachment.
Se admitimos que essas assertivas são verdadeiras, Michel Temer cairá em breve.
Se isso não acontecer, significará que a Rede Globo não representa mais os interesses majoritários do grande capital, nem dos principais políticos no país e seu império midiático está prestes a ruir.
Nesse sentido, é sempre importante fundamentarmos nossas hipóteses com base na história política brasileira. Nos últimos 65 anos, a Rede Globo ocupou o espaço de um dos principais atores políticos, sempre participando com grande poder de decisão em momentos-chaves. Vejamos.
O jornal O Globo, quando ainda não havia sido constituída a poderosa Rede Globo, foi um dos principais atores na desestabilização do governo de Getúlio Vargas em 1954. Quando Vargas aceitou a proposta de João Goulart, então escolhido para o Ministério do Trabalho, de dobrar o salário mínimo, foi gerada uma convulsão nas elites empresariais do país. O Jornal O Globo, como porta-voz desse setor, publicou várias denúncias contra o presidente da República, acusando-o de mandar assassinar seu principal inimigo político, Carlos Lacerda. Nesse mesmo ano, Getúlio Vargas cometeu o suicídio, alegando em carta-testamento que forças ocultas o impediam de governar. Depois da morte de Vargas, o jornal O Globo foi atacado por milhares de manifestantes no Rio de Janeiro.
Dez anos mais tarde, entre 1961 e 64, o herdeiro de Vargas, João Goulart, assumiu a presidência da República. Mais uma vez, o Jornal O Globo se opôs veementemente ao seu governo e ajudou a preparar o golpe militar-civil que o retiraria do poder em 31 de março de 1964, por meio de uma quartelada.
Durante os vinte anos da ditadura militar-civil foi construída a Rede Globo, um grande império midiático, chegando a vários pontos do país e incluindo o seu meio de comunicação mais importante: a televisão. Ela serviu de apoio político-ideológico do governo dos generais e se mostrou como a maior formadora de opinião no Brasil, difusora de informações, verdadeiras ou não, mas sua principal prática foi esconder, e muito bem, as torturas, os assassinatos, as perseguições, a corrupção, as falcatruas realizadas nesse período sombrio da história brasileira. A Rede Globo exacerbou a autocensura jornalística, isto é, antes da censura dos militares, o jornal só informava aquilo que agradaria ao regime.
Com o fim do regime militar, teve início a luta pelas “Diretas Já” e a Globo impediu que as imagens dos governados nas ruas fossem exibidas na TV e nos seus jornais e rádios. A censura era seletiva: atentava exatamente contra os movimentos populares. Nada de reivindicações poderia aparecer no seu império. Quando era inevitável, tinha que aparecer como algo negativo. Essa foi e é a lógica.
Depois do apoio incondicional à ditadura militar-civil e a tentativa de esconder a campanha pelas “Diretas Já”, em 1984, a Rede Globo voltou sua atuação intensa contra a criação de direitos sociais na Constituição de 1988, atendendo às demandas das associações empresariais (FIESP, FIRJAN, CNI). Assim, os trabalhadores, hoje, possuem menos direitos do que poderiam usufruir, em função da ajuda da empresa de Roberto Marinho.
No ano seguinte, em 1989, na primeira campanha eleitoral pós-ditadura militar-civil, a Globo apoiou totalmente o candidato Fernando Collor de Mello, fazendo-o vencedor, mas sobretudo impedindo a vitória de seu principal inimigo político, herdeiro de Vargas e de Goulart, Leonel Brizola, e também do operário, Lula da Silva. Para tanto, o jornalismo global trabalhou intensamente para desmerecer as candidaturas de seus inimigos e para vender Collor de Melo como um salvador da pátria. Por consequência, a Rede Globo apoiava o neoliberalismo no país.
Como a vitória de Collor havia sido por uma margem de votos muito pequena e ainda vinha exercendo um governo bastante impopular com confisco da poupança da população, diminuição dos lucros dos empresários etc., a Globo defendeu abertamente o seu processo de impeachment. O objetivo era apaziguar o país, as lutas sociais e resgatar sua supremacia nas comunicações depois de ajudar a eleger um candidato extremamente antipopular. A manipulação da informação por parte da Globo era percebida por grande parte da população e o apoio ao impeachment também significava retomada da credibilidade. Em 1992, os militantes petistas pediam as pessoas para assistirem a Globo!
Em 1994, a Globo apoiou incondicionalmente a candidatura de Fernando Henrique Cardoso para a presidência e protegeu seu governo de uma tal maneira que não era possível sair nenhuma crítica. Inclusive, em episódio incidentalmente gravado por ela mesma, em uma entrevista com o então ministro da economia Rubens Ricúpero, transmitida apenas para quem possuía antena parabólica, que havia admitido que não tinha escrúpulos pois se prestava a fazer campanha aberta para FHC como ministro e dizendo ainda: “o que é bom, a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Isso em plena campanha eleitoral. A Rede Globo não mostrou nenhuma linha, em nenhum dos seus meios de comunicação, jornais, rádios, e TV, sobre o assunto.
A Globo blindou o governo de FHC tal como blindou a ditadura militar-civil. Sob o governo do PSDB, o Brasil viveu uma das piores crises econômicas de sua história, com um dos maiores índices de desemprego e de queda do PIB, mas nada disso era discutido, sequer apresentado nos meios de comunicação do império midiático.
Apesar de tudo, os governados não são idiotas e perceberam que a crise econômica era muito intensa, fruto das medidas neoliberais adotadas pelos tucanos. Em função disso, ocorre o crescimento de votos nulos desde os anos 1990, com sua exacerbação depois dos protestos de 2013. Assim, em 1998, FHC foi eleito com menos votos que a soma de votos em branco, nulos e abstenções. Uma verdadeira vergonha.
Em 2002, Lula da Silva recebeu o apoio da Rede Globo e venceu as eleições. O PT não era mais uma ameaça nem para os capitalistas nem para sua porta-voz principal. Ao contrário, alguns setores acreditavam que uma política de neodesenvolvimentismo, com fácil financiamento do BNDES e com intervenção do Estado, injetando dinheiro em determinados setores, poderia alavancar a economia. E assim aconteceu com a Odebrecht, com JBS, com os bancos e outros setores. Isto não é uma contradição no capitalismo. Vários estudos mostram como as grandes empresas dos países imperialistas cresceram com a ajuda deslavada do Estado. A própria Globo foi favorecida com dinheiro público durante a ditadura militar para instituir seu império. Durante o governo Vargas, a criação das estatais tinha por objetivo favorecer o desenvolvimento do chamado capital nacional através de vendas de produtos a preço de custo para as empresas. Sob o governo de FHC, o BNDES cumpriu função equivalente no processo de privatização das estatais, pois emprestava dinheiro para determinados grupos comprarem as empresas antes públicas e depois passaram a cobrar pelos serviços prestados. Outros processos semelhantes a esses foram as concessões para explorações de rodovias. O Estado investia, deixava a estrada pronta com o dinheiro público e depois concedia a uma empresa a exploração dos pedágios. Um verdadeiro escárnio com o dinheiro público e a inteligência da população.
Portanto, atribuir esses problemas apenas aos governos petistas é tentar impor uma visão seletiva que não colabora para entendermos amplamente o processo. A crítica, portanto, correta e real deve ser feita a todo o sistema que pelo menos desde a ditadura militar-civil favorece aos grandes capitalistas com dinheiro dos governados, depois de muito suor, de muito trabalho explorado e extraído para alavancar determinadas empresas em conluio com políticos no poder.
Por fim, a Globo atuou com toda sua força para retirar a presidente Dilma Rousseff da presidência em 2015/16, que por incrível que possa parecer vinha realizando as reformas exigidas pelos grandes capitalistas, todavia em ritmo mais lento do que aquele implementado pelo governo atual.
Embora Michel Temer viesse encaminhando uma reforma absolutamente reacionária e conservadora, a Rede Globo fez campanha, assumindo inclusive, em editorial do dia 19 de maio do jornal O Globo, que só restava ao presidente da República a renúncia.
É importante entender que Michel Temer vinha sendo apoiado amplamente pelo PMDB, PSDB, DEM e outros partidos menores. A base aliada estava bastante sólida, ampla e unida no conservadorismo que há muito tempo não estava tão organizado no Brasil. Tudo indicava que a reforma da previdência e trabalhista passaria com bastante folga no Congresso. Por que, então, defender a retirada de Temer? Por que desestabilizar ainda mais o país que já está em crise econômica?
Se vale a pena aprendermos com as experiências do passado, poderíamos dizer que o governo federal possuiu uma notória e grande rejeição popular. Assim, pode ser que a Globo queira se livrar da pecha de quem colocou o Temer no poder, venha resgatar sua credibilidade como a emissora que também retirou o mesmo do poder. Curioso é que seria a repetição daquilo que aconteceu exatamente com Collor de Mello.
Em tempos de poder crescente das redes sociais (Facebook, WhatsApp e outras) com uma circulação imensa de ideias, o poder dos grandes conglomerados de mídia está claramente em declínio, se eles perdem a credibilidade ficam fadados a total desconstrução de seus impérios.
Outra hipótese diz respeito a desestabilizar o país, descredenciando todos os políticos para que a própria população queira/aceite um outro golpe militar-civil. Com Donald Trump no poder nos EUA, a conjuntura torna-se absolutamente favorável para esse tipo de golpe. Um golpe no Brasil, seria o cenário ideal para que se realizasse um golpe também na Venezuela e virasse de vez a visão política no continente com um alinhamento natural ao governo autoritário e conservador dos EUA. Ademais, um golpe militar-civil no Brasil acabaria com todas as denúncias da operação “lava-jato” e dos procuradores que estão colocando na cadeia alguns políticos. O Congresso seria fechado, mas todos os políticos que lá estão se livrariam dos processos de corrupção de que fazem parte.
Além do mais, os militares já possuem um candidato “forte, nacionalista, impetuoso, autoritário, conservador e que se apresenta como corajoso para destruir todas as enormes mazelas da política e da sociedade brasileiras”. O golpe militar pode servir para colocar um deputado federal, militar da reserva, no poder Executivo. Trata-se de Bolsonaro.
Esse candidato está em plena campanha eleitoral, visitando quase que diariamente todos os quartéis do país. Ele ainda possui uma enorme rede de think tanks que divulgam suas ações pelas redes sociais, sendo amplamente compartilhada por militares, seus familiares e amigos.
No pré-1964, a Globo apoiou o “quanto pior, melhor”, justamente para garantir o caminho dos militares ao poder Executivo. Algo similar aconteceu com o lançamento da candidatura de Fernando Collor em 1989. Como os políticos estão muito desgastados, Collor apareceu como o candidato da antipolítica. Bolsonaro é também apresentado dessa maneira, nem parece que ele é um político profissional há muito tempo.
Por consequência, a Rede Globo mostra as falhas de todos os candidatos, mas blindando exatamente Bolsonaro, tal como fez com FHC, com Collor e a ditadura militar. Enquanto aponta as críticas de todos os candidatos e não fala de um deles, é óbvio que o está favorecendo. Enquanto todos se desgastam, a candidatura mais perigosa de todas vai sendo construída subliminarmente. O SBT apresentou no último domingo, dia 21 de maio de 2017, um programa inteiro sobre a candidatura de Bolsonaro, como um herói brasileiro, para tirar o país do que ele chama de bagunça.
Em resumo, com base na história política brasileira, não podemos descartar a preparação de um golpe militar-civil por parte da Globo e de seus oligopólios de comunicação de massa aliados, nem o lançamento da candidatura de Bolsonaro como salvador da pátria. Esses são os piores cenários para a política brasileira, pois estaríamos sem liberdade de expressão e, portanto, nem esse artigo poderia circular.
Por fim, com todas as denúncias apresentadas, as suspeitas populares de que os políticos estão meramente a serviço dos interesses de alguns empresários/banqueiros escolhidos, se confirmou. Os depoimentos ratificam que o dinheiro público, que deveria servir a sua população que contribui, é amplamente utilizado para favorecimento recíproco de políticos e empresários por meio de corrupção e falcatruas. Aquela sensação de corrupção ampla e ativa nos meios políticos e empresariais está agora mais que confirmada. Percebemos também que com esse sistema, do jeito que está organizado, o voto dos governados de pouco adianta, pois os políticos precisam de aliança com aqueles que possuem dinheiro para suas campanhas eleitorais, sejam eles, empresários, banqueiro, narcotraficantes ou qualquer outro, para comprar jornalistas, juízes, televisões, rádios, apoios nas favelas e periferias.
Esse sistema oligárquico-representativo requer que o candidato faça de tudo para se eleger, inclusive, prostituir suas ideias. Para ele, o importante é ganhar a eleição. Trata-se daquela velha máxima: “os fins justificam os meios”, que não deu certo em lugar nenhum. Assim, ele se vende para chegar e manter-se no poder, mesmo que tivesse uma ideologia crítica a isso tudo.
Portanto, não adianta votar nesse ou naquele político. É necessário mudar todo o sistema de organização política da sociedade, sem a qual, continuaremos a transformar algumas pessoas, até com boas intenções, em verdadeiros canalhas corruptos. É necessário jogar todo o sistema político-eleitoral existente no país abaixo e construir um modelo marcado pelo total controle da população sobre todos os rumos das verbas públicas, de seus direitos, enfim o autogoverno. Único que é verdadeiramente oposto a todo tipo de ditadura. Um autogoverno que viabilize a democratização dos meios de comunicação e que acabe com os oligopólios de comunicação de massa para se garantir a verdadeira liberdade de expressão.
Se queremos acabar sinceramente com o uso de dinheiro público para financiar empresas e o dinheiro das empresas para financiar políticos inescrupulosos, se queremos acabar com o compra e venda de votos no Congresso Nacional, com os cargos do Estado virando moeda política, só existe um jeito: governo (Kratos ou cracia) do povo (demos) ou democracia no seu sentido etimológico. Esse modelo só será concretizado quando qualquer pessoa do povo puder exercer influência sobre os rumos do dinheiro público que é construído pelo seu trabalho. Quando sua voz for ouvida pelos demais, quando suas considerações forem levadas em conta, e isso não acontece com um regime representativo no qual um eleito não possui nenhuma obrigação de atender aos interesses dos governados, mas apenas de responder aos financiadores de sua campanha eleitoral. Enfim, estamos vendo no Brasil a total falência do regime representativo e ainda estão tentando nos impor um regime ainda mais ditatorial, quando a melhor solução é a real democracia, que significa autogoverno popular.

Wallace dos Santos de Mora é Prof. do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ. Coordenador do grupo de pesquisa OTAL (Observatório do Trabalho na América Latina): www.otal.ifcs.ufrj.br . Agradeço aos alunos do OTAL pelas reflexões críticas que colaboraram para elaboração dessas teses.


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48 Comments

  • Por que a rede globo apoiou um regime marcado por torturas desumanas, opressão política, censura e etc? Devido ao prestígio que a ilustre família Marinho recebeu dos militares. O apoio recebido pelos militares puderam alavancar os negócios da família e em contrapartida dar ares de bonança ao regime militar. Em suma, foi uma grande troca de favores entre os militares e a elite brasileira representada principalmente pela família Marinho.

  • “FOrças ocultas o impediam de governar” Por favor, essa frase é da renúncia do Jânio Quadros e não da carta testamento de Getúlio Vargas, que acusa diretamente seus inimigos. Recomendo a releitura dos dois documentos e a correção da matéria, pois esse tipo de confusão tira a legitimidade da tese do autor do texto.

    • Thiago, falei com o professor e ele disse que Getúlio também se referiu a forças ocultas varias vezes antes de se matar, embora, realmente, na carta ele se refere a forças que o acusam, mas a frase, da mesma forma que Jânio disse, não está lá.

    • Percebi isso também. E confesso que após essa falha pra mim a credibilidade da matéria foi de água a baixo. Sem contar que por Bolsonaro como possível candidato da emissora ficou um tanto que forçar a barra. Talvez quem cabe esse papel de salvador da pátria seja o Dórica.

    • Concordo com o comentário do Tiago.
      Esta falha de informação tende a diminuir o valor da análise feita que, por sinal, é de grande importância para todos os legítimos brasileiros.
      De fato, o aceno às forças ocultas como justificativa da renúncia foi de Janio Quadros.

      • No texto a expressão não é citada como transcrição da carta, mas mera interpretação da mesma que textualmente fala de “forças e interesses contra o povo”, logo o sujeito está oculto. Não vejo problema na construção do texto da tese, mas na interpretação de quem lê.

    • Qual das cartas de Getúlio, o cara era tão doido que sempre tinha uma carta de suicídio na manga, onde lavava sua memoria com um discurso eloquente. Getúlio era um pilantra dos bons Apoiava Mussolini e Hitler e ia se vendendo conforme interesse pessoal. Ambos jamais pensaram no Brasil, pensavam apenas em poder como a maioria da elite que cresce em cima das costas do povo trabalhador, competente e esforçado.

  • Eu escrevi isso no meu blog, impressionante! Estou tentando fazer com que as pessoas entendam que esquerda somos nós (povo) e que a democracia social deve ser feita. Até recebi uma crítica de um professor dizendo que meu texto está muito raso e que preciso melhorá-lo e o farei posteriormente em outros posts, mas a ideia principal foi essa. Como a minha intenção é atingir alunos de ensino médio, do qual ministro aulas, achei importante ser mais sucinta e por isso meu texto ficou um pouco “pobre”. Mas colocarei esse texto também como referência. Muito bom!
    Se quiser ler o texto: http://fisicasemeducacao.blogspot.com.br/2017/05/esquerda-direita-e-democracia.html

  • O texto é esclarecedor e veio em boa hora, principalmente depois do Decreto de Estado de sítio… remete à história, principalmente da atuação “global”. Já me perguntei várias vezes porque a Globo estaria dando tanto apoio e ênfase à queda do Temer…
    Ao colega das “forças ocultas”, sugiro reler a carta-testamento de Vargas, na qual ele faz referência claramente: “Mais uma vez as ‘forças’ e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa”.

  • na faltando um monte de elementos nesse artigo……..entre outros…..1 – em 64 havia a guerra fria e conspirações de golpe comunistas por todo mundo mas especialmente nas Américas devido a revolução cubana….2- e o Caso Aécio????…por que a globo esta ferrando o Aécio e ate ignorando(pelo menos momentaneamente) o Lula na lava jato???….3…..não reconheço essa crise no primeiro mandato do FHC…no final do segundo sim a coisa foi braba…..o artigo diz que foi uma vergonha FHC ser eleito com menos votos que os votos nulos+brancos…..porem na releição levou no primeiro turno…
    enfim…quem escreveu esse artigo não estudou tudo que tem para estudar sobre o BR

    • Fiquei curioso e dei uma pesquisada nos numeros de votos desde a eleição do Collor até hoje. Realmente em 1998 Fernando Henrique teve menos votos que a soma de brancos+nulos+abstenções (e foi o único caso). Foram 35 milhões de votos do Fernando Henrique contra 38 milhões de b+n+a.

  • Não está clara Ainda a intenção da globo em fazer campanha para derrubar Temer. A teoria do autor é mais uma das que estão circulando. E não considero convincente. A intenda globo seria eleger Bolsonaro? Esse senhor representaria um grau de radicalização política que levaria o país à paralisia. O que o capital deseja, e a globo é seu porta-voz, é aprovar as reformas regressivas. Não vejo Bolsonaro com melhor condição que Temer para levar adiante essa tarefa. Daí, continuo acreditando que falta uma explicação mais real e conclusiva para o caso. Mas é nesse processo de diálogo que poderemos avançar, não só nessas explicações, mas na defesa dos interesses da maioria da população brasileira.

  • Até a parte onde o texto se ateve aos contextos históricos, ficou excelente.
    Quando passou a relatar a teoria da conspiração criou um roteiro digno de filmes de Hollywood.
    Governo civil-militar apoiado pela Casa Branca?
    Menos, por favor…

    • Putz, senti o mesmo… estava pronto para algum “copia e cola” para guardá-lo, mandar para mais alguém ou algo assim : )… mas a parte da conspiração envolvendo Trump/Bolsonaro/novo golpe/etc ficou parecendo, aproveitando a tua menção ao cinema, a dum diretor que tá fazendo um baita filme e se perde com a conclusão lá no fim, deixando aquele gosto amargo de desperdício de um baita material…
      Mas, mesmo assim, ainda vou valorizar a “parte boa”, do início pro meio, que tá bem interessante, sim.

  • O texto, que começa bem, dá duas derrapadas imperdoáveis. Na Carta Testamento, Getúlio não fala em “forças ocultas”, Quem disse isso foi Jânio Quadros. E, evidentemente, a Globo não apoiou Lula em 2002.

    • Assista ao Documentário “O Brasil Deu Certo. E Agora?”, mostra que Lula foi obrigado a mudar toda articulação política para receber apoio do interesse econômico. A Globo apostou no Lula em 2002 para salvar o país da crise do governo FHC. Ela virou oposição após ele entrar.

  • Esse é o tipo de texto em que o autor não se preocupa em analisar os fatos, mas sim encaixar os fatos numa narrativa pré-concebida.

    Deixo aqui apenas três provocações:
    1) O autor já decidiu como encaixar nessa narrativa tosca o fato de que a Globo está transmitindo uma série por ela produzida, chamada “Os dias eram assim”, com intensa crítica à ditadura militar, mostrando toda a tortura e perseguição política daquele período?

    2) O autor já decidiu como encaixar nessa narrativa tosca o fato de que a Globo notícia amplamente as denúncias contra Aécio Neves? Aécio Neves também será considerado uma vítima da “conspiração judiciária-midiática”? Estaria a Globo obstinado em destruir a carreira política de Aécio Neves? Nesse contexto, qual seria o interesse da Globo na queda de Michel Temer? Colocar no poder um governo fortemente aliado às oligarquias industriais, notoriamente corrupto, com histórico de violenta opressão contra indígenas e manifestantes (estou me referindo ao PT)?

    3) O autor já decidiu como encaixar nessa narrativa tosca o fato de que a Globo praticamente sequer menciona o nome de Jair Bolsonaro?

    Enfim, esse texto é patético.

    • Você não entendeu nada do texto e ainda o desqualifica. A Globo esteve comprovadamente aliada ao regime militar, isto não é uma opinião, isto é um fato histórico abundantemente registrado, basta ver o endosso dos editoriais do Jornal O Globo do dia do Golpe de 64 em diante. A própria Globo já publicamente pediu desculpas em rede nacional por ter apoiado a ditadura. O fato dela estar agora se dedicando a produzir séries e realizar apologias nada mais serve para reverter o dano a sua imagem e enganar pessoas como você, truístas que acreditam que essa mega-coporação financeiro-midiática não possui interesses altamente reacionários e de métodos criminosos.
      Quanto ao Aécio Neves, a postura da Globo só se alterou a partir da delação de Joesley do grupo JBS. Anteriormente a esse acontecimento, a Globo blindou escancaradamente o Aécio e seu partido PSDB, isso foi flagrante por longos anos, o que gerou até paródias em memes, pois esta rede midiática deu muito mais destaque aos pedalinhos de um suposto sítio de Lula em Atibaia, do que à meia tonelada de pasta-base de cocaína no helicóptero de Zezé Perrella, com amplas vinculações com Aécio, fato que se comprovou mais recentemente com as gravações de Joesley.
      Tosca é a sua análise de má fé!

    • Acho que a questão da série é exatamente mais uma tentativa de “expiação” dos pecados daquela época… rs… um mea-culpa (já feito inclusive, abertamente, no noticiário há alguns anos)…

      Quanto ao Aécio… bom, como não noticiar tudo aquilo? rss

      Na verdade, fico chocado que tenham deixado o Aécio pra lá!…

      As denúncias contra o Temer (que também são de arrepiar) são brincadeira perto da evidência de todas aquelas contra o Aécio…

  • Exatamente, Thiago! O que Getúlio Vargas afirmou em sua carta, “(..)as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, (…)”, foi mais explícito do que “forças ocultas o impediam de governar”. Ele deu nome aos bois: “A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho.” E explicitou os seus interesses, que de forma mais clara, é impossível: “Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.”
    Nem é o caso de dizer que para um bom entendedor um pingo é letra, Getúlo foi explícito!

  • eu to querendo ver onde voces viram que a globo ajudou b lula a se eleger, que ate agora nao encontrei,muito pelo contrario foi uma vitoria contra a midia, mas quem elegeu lula foi fhc e sua politica de destruiçao do brasil > sinceramente, essa parte do artigo desqualifica todo o resto, pois eu vivi essa epoca e me lembro bem do terrorismo economico da globo e do empresariado, mas a situação era tao ruim que a vaca nem tinha como ir ao brejo com a eleiçao de lula, mas ja estava atolada e morta >>>no dia 13/05/2002, quando o JN exibiu entrevista concedida por Armínio Fraga, ao programa Bom Dia
    Brasil, também da Rede Globo, o que se considera, no jargão jornalístico, uma matéria “requentada”, normalmente vinculada à linha editorial da empresa e repetida para enfatizar a público diverso do inicialmente previsto. O presidente do BC destacou que os bancos estrangeiros deviam reduzir os investimentos no Brasil porque o candidato do PT liderava as pesquisas eleitorais. A parte editada da entrevista para o JN teve mais de dois minutos e uma repercussão negativa para os candidatos de oposição. O Ministro dizia que “não devíamos esquecer o passado” (JORNAL NACIONAL, 13 de maio de 2002); insinuava que, se houvesse mudança na direção do governo, tudo poderia mudar e a estabilidade estaria ameaçada. “É comum os candidatos prometerem e dizerem que tudo é viável ao mesmo tempo e já. O medo é que, por falta de entendimento, você entra em uma trajetória e vai dando vários passos na direção errada” (JORNAL NACIONAL, 13 de maio de 2002). A entrevista destacada pelo telejornal suscita o medo da mudança. http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:LCjVpyC2YFgJ:www2.pucpr.br/reol/index.php/comunicacao%3Fdd99%3Dpdf%26dd1%3D5803+&cd=16&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

  • agora, que a globo com seu phoder sabia que podia lidar com o lula, ai ja é outra coisa

  • A narrativa peca por um único detalhe: Não foram “os militares” quem mandou na Globo; foi Roberto Marinho, da Globo, e no seu intenso uso quem o tempo inteiro manietou e conduziu os militares. Ao ponto de desmoralizar o governo Figueiredo em 1983, no chamado “Escândalo das Jóias”. Como disse Chico Buarque à BBC no documentário “Muito Além do Cidadão Kane”, de 1993: “Ninguém faz nada no país sem consultar o Roberto Marinho”. (Dos 54 segs ao 1min08 segs).
    No mais… Perfeito!

  • “Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. …” Getúlio Vargas. De fato, a carta de Getúlio apresenta uma imagem de que ‘forças’ o impediam de governar e ainda elenca diversas delas. Mas isto não está no texto, ficando aí a dica do Thiago de corrigir a matéria. No mais, bom texto e gostei da tentativa de deixar um fio de luz no fim deste imenso túnel. Ao que parece tempos sombrios nos aguardam..

  • Desculpe, Prof.Dr.. Melhor o Sr. sair do ar condicionado da sua sala, porque isso está deixando sua cuca fresca. Até parece que os atores que interessam no Brasil passam longe dos bancos. Hoje, no Brasil, os bancos são donos de 75% do crédito disponível. Ou seja, sobra pro cidadão somente 25% para disputar com outros atores e, no seu academicismo, o Sr. nem sequer mencionou a palavra banco no seu discurso. Quanto ao resto(e é só isso que é), assino em baixo.

  • Faltou uma narrativa da influência da Globo no período 2004-2014, houve um salto na narração histórica. O que aconteceu, esse período a Globo não manipulou a opinião pública?

  • Analisando rapidamente o gráfico da última pesquisa eleitoral para 2018 se percebe elevação das intenções de voto com Lula, descrencendo Aecio já em 8% e Temer com 2% nem mesmo aparecendo no gráfico. Lula quase não tem espaço positivo na mídia, ao contrário, só toma bomba. A elevação de Lula nas pesquisas só pode vir do sentimento da população que a Lava Jato é (era) seletiva. A população percebia a corrupção geral é só Lula sem provas até o momento atacado.
    Ora, para dar um sentido de equilíbrio e legitimar uma possível prisão de Lula é preciso legitimar o processo.
    Eu mesmo comecei agora dar mais valor a Lava Jato, apesar de ainda desconfiado.
    A cabeça do Cunha foi em troca do impeachment. Teve valor ate a votação, depois só estava ali para atrapalhar.
    O Aecio sem mais valor político e o Temer com 2%. Valem nada eleitoralmente , porém ainda com valor como boi de piranha.
    A Globo foi hostilizada junto com a podridão nos últimos protestos dentro e fora do Brasil.
    Essa é a razāo da aparente posição da globo. Eles vão vir com o Dória, assim como fizeram com o Collor.

  • Outra hipótese também é de que a rede globo não tenha exercido nenhuma influência direta ou conspiratória e que os fatos ocorridos aconteceriam independente da posição política e ideológica da mídia.

  • Esse artigo quer transformar a realidade de modo que ela caiba sem suas teorias mirabolantes. Os jovens, que não viveram esses fatos históricos podem até se deixar envolver por esse bando de maluquices mal escritas, mas quem já tem um pouco mais de vivência só se admira de Le Monde Diplomatique se prestar a publicar esse amontoado de asneiras. Francamente!

  • Faça me o favor “mio doctor” Forças ocultas o impediam de governar”, Getúlio Vargas, tá de brincadeirinha nê seu dotô.

  • Esse texto tem um conteúdo imperdoável para uma revista da qualidade da Le Monde. Não há nenhum elemento, nem subliminar, que a Globo flerta com Bolsonaro.

    • A Globo não, mas acho que o SBT sim. Teve um Conexão Repórter dele contra Jean Willys, uma entrevista descontraída dele no Raul Gil e o SBT Brasil sempre blonda ou justifica as falhas dele.

  • GOSTEI MUITO DO TEXTO. HIPÓTESE E INSTIGANTES PARA SEREM RESPONDIDAS, E QUE O FORAM A CONTENTO. MAS, INSTIGAR UM BOM DEBATE TRAZENDO REFLEXÕES INTERESSANTES FOI OBJETIVO CONQUISTISTADO COM LOUVOR. AGREGARIA UM DADO A PESQUISAR: A POSSÍVEL VENDA DO CONGLOMERADO DE COMUNICAÇÃO DA VÊNUS PLATINADA TEM COMO INTERESSADO UM GIGANTE CAPITALISTA MEXICANO DONO DE EMPREENDIMENTOS NO BRASIL E NOS EUA. E EM TEMPOS DE NUNCA ABANDONADA A ALIANÇA ENTRE A CRUZ E A ESPADA, ONDE E COMO A COMUNICAÇÃO PLANETÁRIA SE CONECTA NESSA PARTIDA DE WAR EM QUE AS FRONTEIRAS ESTÃO CADA VEZ MAIS LÍQUIDAS?

  • Isso é totalmente achismo meu, mas depois do que aconteceu com Fernando Collor se existe algum possível nome a ser indicado pela Globo como candidato futuro seria o Sérgio Moro, a emissora vem construindo a persona de Moro como herói anti-corruptos faz tempo, de maneira muito parecida como fez com o Collor, as ligações dele com a elite política e econômica Brasileira são óbvios embora ele não se posicione como político, o que também o torna um perfeito candidato populista que vai manter o status quo mas enganar o povo com um ar de mudança, vide o que aconteceu com o Dória em São Paulo, que venceu justamente por causa dessa construção. Imaginem só se ele anuncia que vai deixar o judiciário para se tornar candidato? Vai ser laureado como o “cara que vai moralizar a política”, note as possibilidades de trocadilhos com ‘Moro’ e ‘Moralizar’, hahahaha já estou até vendo os editoriais da Veja e do JN. O pior de tudo é que vejo o povo ingênuo em peso comprando essa história.

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