Em nome do humanitarismo
Do Kosovo ao Afeganistão, as populações foram vítimas e pretextos para intervenções. Quanto às organizações não governamentais, elas foram instrumentalizadas ao longo de guerras que qualificamos sem hesitação de “morais”…

Do Kosovo ao Afeganistão, as populações foram vítimas e pretextos para intervenções. Quanto às organizações não governamentais, elas foram instrumentalizadas ao longo de guerras que qualificamos sem hesitação de “morais”…
A Organização das Nações Unidas, que fracassou em diversas situações, não se tornou um instrumento incontestável de segurança coletiva. Mas continua sendo um insubstituível escudo multilateral, que poderá no futuro contribuir para reforçar uma ordem internacional aceita por todos
Para legitimar suas operações militares no Afeganistão, as classes políticas ocidentais – amplamente masculinas – frequentemente carregaram a bandeira do direito das mulheres. Mas essa bela causa escondia preocupações muito menos confessáveis…
Silvio Caccia Bava
A França, que tinha ajudado a armar e a treinar milícias hútus responsáveis pelo massacre de centenas de milhares de tútsis em abril de 1994, era o país mais indicado para liderar uma “missão humanitária” em Ruanda, 2 meses depois?
Comportando-se como a polícia dos Bálcãs, a Otan falava em “libertar” o Kosovo com uma “guerra de valores”. Mas não sem manipulação e mentira, aproveitando a docilidade dos enviados especiais da mídia ocidental…
Ataques “inteligentes” contra o terrorismo “sem fronteiras”, mísseis contra bombas humanas, tanques de assalto contra carros-bomba, política do poder contra estratégia de desgaste: a paz, tanto no Iraque como no Afeganistão, não se ganha no campo de batalha…
Tradicionais “esquecidos” das guerras, os refugiados e deslocados são quase 5 milhões no Iraque desde 2003. A reação internacional, diante desse tipo de crise, não parece muito apropriada. Vizinhos como a Síria acolhem a maioria, mas sua capacidade de gerenciar essas populações tem limite
O exame dos dados referentes às vítimas da guerra em 1991 mostra que as “leis da guerra” não levaram em conta as mudanças na tecnologia militar. A regra da “proporcionalidade” exige que, para proteger os civis, as operações militares tenham o cuidado de poupar a população e os alvos civis
Denunciando em 1109 os ensinamentos do profeta Maomé, Guibert de Nogent definia o princípio da propaganda de guerra. Nada mudou desde então, exceto a época. De Saddam Hussein a Mahmoud Ahmadinejad, um “novo Hitler” substitui o outro
Em um artigo do dia 5 de outubro de 2005, o New York Times elogiou o contingente de antropólogos engajados em uma grande operação para reduzir os ataques contra soldados norte-americanos e afegãos