“Pibinho” mais uma vez - Le Monde Diplomatique Brasil

Economia

“Pibinho” mais uma vez

por Mateus Boldrine Abrita
9 de março de 2020
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O PIB é que uma medida para demonstrar o quanto de produtos e serviços foram produzidos em determinado período, em determinado país ou região. Quando o PIB aumenta, grosso modo, a condição de vida material das pessoas tende a melhorar, num português claro, ficam na média, mais ricas. Mas então o que explica esses resultados fracos? Vários podem ser os motivos, mas aqui vou abordar um especial, o investimento público.

Na última quarta-feira dia 04 de março de 2020, o IBGE divulgou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano de 2019, o resultado apurado foi de 1,1%, ou seja, ainda não recuperamos as perdas da recessão de 2015 e 2016 e ainda estamos no “nível de riqueza” de 2013. Já o crescimento do PIB por habitante, foi ainda pior, pífios 0,3%. Mas afinal o que é PIB e porque destes resultados fracos?

Para o leitor não muito familiarizado com o “economês”, o PIB é que uma medida para demonstrar o quanto de produtos e serviços foram produzidos em determinado período, em determinado país ou região. Quando o PIB aumenta, grosso modo, a condição de vida material das pessoas tende a melhorar, num português claro, ficam na média, mais ricas. Mas então o que explica esses resultados fracos? Vários podem ser os motivos, mas aqui vou abordar um especial, o investimento público.

Os últimos anos vem sendo caracterizados por uma euforia, seguida por frustrações nas expectativas de crescimento econômico. Todo início de ano a expectativa e os discursos de muitos, são as de que o país vai “decolar” e no decorrer do ano, esta expectativa vai sendo revista para baixo e ao final, encerra com um resultado fraco. Para citar alguns exemplos largamente divulgados na mídia, primeiro um impeachment salvaria o país, depois o teto de gastos (PEC 241 na Câmara dos Deputados e PEC 55 no Senado Federal). Posteriormente foi dito que, na verdade, era preciso uma reforma trabalhista ( aprovada em 2017), essa sim geraria 8 milhões de empregos formais e o Brasil decolaria, não aconteceu. Depois a “bala de prata” era a mudança de governo, após isto, a bola da vez foi a reforma da previdência, essa geraria “anos fabulosos”, novamente o Brasil não decolou. E o resultado de tudo isso é que nossa grande nação está na recuperação mais lenta da história econômica do país.

Investimento privado protagonista

Os governos recentes vem apostando em reformas pelo lado da “oferta” da economia (tributária, trabalhista, previdenciária, liberdade econômica) para gerar crescimento. São reformas que podem ser importantes dependendo do seu desenho e de como são implementadas, enfatizo aqui que acho importante existir esse debate nestes pontos. Entretanto, não resultam necessariamente em maior crescimento no curto prazo – talvez nem no médio prazo. A aposta da atual equipe econômica, mais liberal, é melhorar o ambienta para que o investimento privado seja protagonista. Entretanto, neste cenário de instabilidade política e econômica no Brasil e no mundo, é pouco provável que o investidor privado nacional e estrangeiro realize grandes investimentos, por conta do elevado risco. Com a demanda escassa, emprego e renda fracos, é muito improvável que o empresariado realize grandes investimentos, afinal ele nem sabe se vai vender os produtos que já tem em estoque.

Com os escândalos de corrupção, o investimento público foi demonizado por alguns e ao invés de ser adotado uma agenda prioritária para melhorar a eficiência e transparência dos investimentos públicos, eles foram destroçados. Para se ter uma ideia, o investimento público previsto para 2020 é um dos mais baixos registrados.

Portanto, é fundamental construir uma agenda que eleve os investimentos públicos no Brasil com eficiência, transparência e prevenção da corrupção, para assim formar um multiplicador positivo de geração de renda que aumente as vendas do empresariado, gerando mais empregos – que por sua vez, resultem em mais consumo, acarretando aumento das vendas, mais contratações e crescimento, assim sucessivamente. Esperar que o setor privado, sozinho, assuma todo este protagonismo neste cenário de extrema instabilidade mundial é ingenuidade ou má-fé.

Mateus Boldrine Abrita é professor efetivo na UEMS. Doutor em economia pela UFRGS. Possui trabalhos científicos publicados no Brasil e no Exterior.



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