Uma ressaca em mil pedaços
Confira resenha do livro Mil olhos, mil braços, de Alê Amazônia, lançado pela editora Autonomia Literária

Confira resenha do livro Mil olhos, mil braços, de Alê Amazônia, lançado pela editora Autonomia Literária
Após um tempo paralisada pelo que chamou, assim como a Rússia, de “operação militar especial” na Ucrânia, a China ressurgiu. Até para agradar a seu “amigo Putin”, o presidente Xi Jinping não pretende abrir mão de sua ambição de modificar a “arquitetura de segurança e governança” do planeta
É preciso observar como o movimento imanente da economia chinesa vai reagir frente às consequências políticas e econômicas do conflito na Ucrânia. A integração da China à economia global impedirá Pequim de ajudar a Rússia?
A geopolítica mundial entrou no que eu chamaria de “Pós-Guerra Fria Tardia”. Ou seja, entramos em uma nova etapa onde a supremacia estadunidense é superada pela nova realidade do país: o seu declínio geopolítico
A China às vezes se atrasa, mas, quando os dirigentes e empresários se envolvem, tudo muda na hora. Os esportes de inverno quase não existiam em 1995. Perto dos Jogos Olímpicos, que acontecerão em fevereiro, o país totaliza cerca de oitocentas estações. As melhores pistas de esqui são cobertas e podem acolher simultaneamente 3 mil praticantes.
O Ocidente indaga sobre os impactos globais da crise da Evergrande, da desalavancagem das empresas chinesas e das dificuldades do setor imobiliário no país. Mas não há previsão de uma queda significativa na economia chinesa neste ano e no próximo, como constatou o FMI em outubro
A entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001, foi facilitada pela esperança dos Estados Unidos de que a liberalização econômica do país levaria à “abertura política”. Vinte anos depois, é exatamente o contrário: a desregulamentação serve a Pequim, que se apoia nas transnacionais norte-americanas para se opor às tendências protecionistas da Casa Branca
Tendo chegado sem um tostão e conseguido ascender socialmente, os asiáticos que vivem nos Estados Unidos encarnam o sonho norte-americano. Dizem que trabalham duro, são brilhantes na escola, mas também discretos e dóceis. Por trás desses estereótipos, contudo, esconde-se uma sociedade fragmentada e assombrada pela multiplicação de ataques de ódio desde o início da pandemia
Taiwan elege seu próprio presidente (atualmente Tsai Ing-wen) e possui sua própria moeda. Entretanto, não tem reconhecimento internacional. Apenas quinze países reconhecem a ilha como separada da China. Se Pequim espera reintegrá-la em seu seio, o taiwaneses duvidam cada vez mais do slogan “um país, dois sistemas”, e Washington joga com seus medos
Navios norte-americanos cruzam o Mar da China. De forma mais silenciosa, Pequim avança seus peões em uma região que a Casa Branca considera um “quintal”: a América Latina. Após tentarem um retorno ao seio de Washington, os governos conservadores do subcontinente, eleitos nos anos 2010, descobriram que os Estados Unidos são um aliado exigente e pouco generoso
O crescimento econômico da China e o acirramento das disputas com os Estados Unidos impõem desafios importantes às duas maiores economias da América Latina – o Brasil e o México
A teoria de que a China sabe que nunca houve vírus, mas sim uma bactéria causada pela radiação do 5G, e de que a China quer transformar o Brasil em colônia, usando para isso Lula e um “mensalão chinês”, são apenas algumas das inúmeras ideias que identificamos ao participar de grupos bolsonaristas durante os últimos três meses