A arte da guerra imbecil
Não sou contra todas as guerras. Eu me oponho a uma guerra imbecil, irrefletida, uma guerra fundada não na razão, mas na raiva.Serge Halimi

Não sou contra todas as guerras. Eu me oponho a uma guerra imbecil, irrefletida, uma guerra fundada não na razão, mas na raiva.Serge Halimi
O entusiasmo quase unânime dos líderes políticos pela “guerra” traduz um grave desconhecimento da realidade do terreno. Decidido em 2014, depois da tomada de Mossul e na emoção suscitada pelas decapitações, o engajamento militar ocidental acrescenta uma quinta camada a uma sobreposição de conflitos que inflamam o terriPierre Conesa
Veteranos de grupos de elite da polícia, dos serviços secretos e das Forças Armadas, um novo batalhão invade a mídia: o de especialistas em terrorismo. Eles defendem uma mensagem securitária e pró-guerra repetida infinitamente por governantes.Gilles Balbastre
Enquanto a facilidade com a qual circulam jihadistas salienta a insuficiência dos meios colocados a serviço da justiça, o governo responde com a privação de direitos: a prolongação do estado de emergência. Ganhando espaço sobre as liberdades fundamentais, ele faz o jogo daqueles que combatem a democracia pelo terrorPatrick Baudouin
Os países ocidentais gostariam de destruir a Organização do Estado Islâmico sem levar a cabo uma intervenção terrestre, o que tornaria obrigatória a reunificação das principais facções armadas sírias e a instalação de um processo político de transição. Mas tal cenário ignora diversas realidadesAkram Belkaïd
Esforço de elevação espiritual, jihad pode também significar o combate aos infiéis e aos hipócritas. Aqueles que o usam hoje para justificar uma conduta ultraviolenta nutrem um sonho de conquista inspirado por uma ideologia rígida advinda de uma dupla filiação: a Irmandade Muçulmana e o salafismo wahabita, amplamente dNabil Mouline
Acusada de defender a mesma doutrina estrita dos jihadistas, a Arábia Saudita também enfrenta os mesmos inimigos xiitas. A família real, dividida, incomoda seu aliado norte-americano e sofre com as consequências da guerra de preços do petróleo que ela mesma lançou em meados de 2014Ibrahim Warde
Após a onda de revoltas iniciada na Tunísia em janeiro de 2011, a Primavera Árabe parece encurralada entre duas ameaças: o retorno dos Estados autoritários e o risco jihadista. Entretanto, a exigência por dignidade e a aspiração por liberdade não desapareceram no seio da populaçãoMoulay Hicham
Duplo golpe do presidente russo, que acaba de fazer sua entrada no campo de batalha sírio. Putin deixou escapar que recebeu no Kremlin o presidente Bashar Al-Assad; na sequência, ele organizou uma reunião quadripartite (Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita e Turquia) para interromper os conflitos militaresOlivier Zajec
Penetrando no teatro de operações sírio, o Exército russo pretende mostrar que tem capacidade para honrar suas alianças regionais e defender seus interesses estratégicos. Reafirmando uma cooperação antiga com o regime Al-Assad, Putin espera influir mais na reconfiguração do Oriente Médio.Alexei Malachenko
Este relato serve para fechar o traçado de um círculo iniciado na edição número 1 do Le Monde Diplomatique Brasil, aquela cuja capa trazia uma bandeira americana aprisionando uma multidão em protesto. Hoje, como na capa da edição 100, queremos lembrar que o Brasil também vive dias bastante nebulososRenato Alarcão
Com o pretexto de se emancipar dos Estados Unidos, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, quer desvirtuar a Constituição pacifista de seu país. O dirigente mascara assim a sua vontade de fortalecer as forças armadas, apesar da forte oposição da populaçãoMakoto Katsumata