Quando o horror excede as palavras
“As palavras não dão conta do horror.”

“As palavras não dão conta do horror.”
Quanto mais visibilidade, melhor. Quanto mais deixarmos claro que nossos olhos estão em Gaza, melhor. Quanto mais cobrarmos de nosso governo ações práticas, sanções e bloqueios comerciais, melhor
A Irlanda há muito tempo demonstra solidariedade com a Palestina. Sua história a sensibilizou para os horrores da colonização, da ocupação e da divisão territorial. Derry, segunda maior cidade da Irlanda do Norte, se assemelha a Gaza quando Londres se disfarça de Tel Aviv. Mas que apoio efetivo pode oferecer uma ilha transformada em enclave econômico norte-americano dentro da União Europeia?
O apoio do poder espanhol à Palestina explica-se pelo compromisso de longa data nesse tema das forças que compõem a coalizão governista. Entretanto, ele também se fundamenta em uma tradição histórica singular, que, por exemplo, levou correntes fascistas a defender o ensino do árabe nas escolas
Será coerente acreditar que a criação de Israel como nação foi mesmo uma vontade de Deus? Ou um fruto desse ódio, da supremacia racial enraizada em nossa sociedade cristã?
A proposta do presidente norte-americano, Donald Trump, de deportar mais de 2 milhões de palestinos de Gaza para o Egito e a Jordânia suscitou reações muito diversas, mas um apoio significativo em Israel. Ela corresponde a antigos projetos do movimento sionista e do establishment israelense, para os quais esse território representa, desde 1949, um obstáculo tenaz a ser erradicado
Para justificar o alto número de vítimas palestinas, Israel afirma que a responsabilidade é dos membros do Hamas, que operariam sem considerar a vida de seus compatriotas. De fato, o direito internacional considera crime de guerra proteger-se atrás de não combatentes. Mas uma questão permanece: quantos civis podem ser mortos para eliminar um único inimigo?
Tel Aviv e o Hamas concluirão um acordo de trégua até o fim de fevereiro. O término definitivo das hostilidades, a retirada do Exército israelense de Gaza e a libertação dos reféns e dos prisioneiros serão objeto de novas negociações. Se as perspectivas de paz continuam frágeis, já é possível tirar lições do conflito que devastou o enclave palestino
Bashar al-Assad ainda não havia nem abandonado seu palácio e Tel Aviv já afiava suas armas. Enquanto os islamistas dão seus primeiros passos no comando da Síria, o Exército israelense destrói meticulosamente as capacidades militares de seu vizinho e se infiltra em seu território, em flagrante violação do direito internacional
Em dezembro, enquanto Israel continuava bombardeando campos de refugiados, a troca de israelenses detidos na Faixa de Gaza por prisioneiros palestinos permanecia no centro das discussões pelo cessar-fogo. Poucas em número, as mulheres são frequentemente as primeiras a serem libertadas, junto com os menores de idade. Esse movimento criou uma unidade singular, especialmente em torno das ações educativas, contrastando com a profundamente dividida resistência palestina
Eliminação do Hamas apenas levaria à criação de novos movimentos de resistência
Até onde irá a intenção israelense de destruir as infraestruturas do Hezbollah? Os bombardeios maciços agora se estendem a outras cidades além da capital. Depois de decapitar a liderança do partido xiita, Tel Aviv emprega uma estratégia de comunicação que incentiva confrontos sectários, ressuscitando o espectro de uma nova guerra civil