Fazer viver, deixar morrer: a farmacopolítica da existência
A matemática da saúde pública segue submetida à matemática do lucro

A matemática da saúde pública segue submetida à matemática do lucro
O alto preço de medicamentos, no Brasil e no mundo, constitui-se como uma barreira de acesso para consumidores individuais e grandes compradores, como sistemas públicos e prestadores de serviços de saúde
A crise gerada pela pandemia mostrou que ter capacidade doméstica na produção de vacinas e medicamentos faz diferença em termos de segurança sanitária. A existência de capacidade produtiva em imunizantes no Brasil permitiu a assinatura de acordos para produção local das vacinas para Covid-19. Porém, este feito também joga luz sobre as deficiências não solucionadas e os problemas estruturais ainda presentes na indústria farmacêutica brasileira, e surge como uma oportunidade de reflexão sobre as vulnerabilidades e os caminhos para solucioná-las. Confira no novo artigo do Observatório da Economia Contemporânea
A África do Sul, ao lado da Índia, pediu à Organização Mundial do Comércio (OMC) que suspendesse a propriedade intelectual de vacinas e medicamentos durante a pandemia. Trata-se de garantir à população o acesso a tratamentos mais baratos. Apesar do surgimento de uma indústria local, a África continua dependente de grupos farmacêuticos estrangeiros
Em mais de 140 países, um total de 1,5 bilhão de pessoas precisam, todos os anos, de intervenções contra as chamadas doenças tropicais negligenciadas (DTN), segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde. Atingindo desproporcionalmente pessoas e regiões em situação de vulnerabilidade social, essas doenças são assim chamadas exatamente por não serem de interesse da grande indústria farmacêutica, que não vê boas possibilidades de lucro na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias em saúde direcionadas a elas.
Gilead, detentora da patente do sofosbuvir, vende o tratamento de três meses a cerca de R$ 200 mil por pessoa em países da Europa e no Brasil e a R$ 343 mil nos EUA. Países que rejeitaram a patente conseguem produzir o mesmo tratamento por R$ 400
Uma das alterações mais prejudiciais da reforma trabalhista é a instituição do contrato intermitente, o trabalhador just in time. Nesta modalidade de contrato, o médico – que deverá ficar disponível 24 por dia – será solicitado a prestar seus serviços conforme as demandas especificas da empresa, hospital ou clínica em questão – é a uberização da profissão médica.
Cuba desenvolveu há sessenta anos uma medicina única no mundo, que alia a medicina moderna à medicina natural e tradicional. A ilha caribenha obtém hoje os melhores resultados do continente em matéria de saúdeAnne Vigna e Gabriela Ordonez
Diante da ganância dos laboratórios farmacêuticos, um projeto de tratado internacional busca separar o custo da pesquisa e o preço dos medicamentos, a fim de facilitar a descoberta de produtos eficazes e acessíveis às populações que mais precisam. Mesmo quando eles não se paguemGerman Velasquez
A humanidade vai conseguir nas próximas décadas se libertar da malária? Os pesquisadores podem enfim se mostrar otimistas. As pesquisas avançam, e há vacinas em teste com resultados encorajantes. No entanto, a pandemia ainda atinge 108 países e a metade da população mundialPauline Léna
As populações do Sul, em especial as africanas, são cobaias dos testes clínicos de grandes laboratórios que testam ali, à margem de princípios éticos, medicamentos que servem aos mercados do Norte
As populações do Sul, em especial as africanas, são cobaias dos testes clínicos de grandes laboratórios que testam ali, à margem de princípios éticos, medicamentos que servem aos mercados do NorteJean-Philippe Chippaux