Por que a primeira infância deve estar no centro do planejamento urbano?
Pensar cidades a partir das necessidades das crianças pequenas não é uma pauta restrita à infância, mas uma estratégia de desenvolvimento que beneficia toda a sociedade

Pensar cidades a partir das necessidades das crianças pequenas não é uma pauta restrita à infância, mas uma estratégia de desenvolvimento que beneficia toda a sociedade
Se a proteção à gestação já está prevista em lei e em políticas públicas, por que alterar justamente a definição de primeira infância?
Na passarela, Max é exaltado como gênio mirim; nas lavouras e nas confecções milhões de crianças são invisibilizadas
Estudos sobre desenvolvimento infantil e a própria legislação brasileira apontam que os vínculos afetivos, o acesso ao cuidado, à convivência e às oportunidades de aprendizagem desde os primeiros anos influenciam significativamente a construção de habilidades, competências e formas de participação social ao longo da vida
A relativização do estupro de vulnerável não é um desvio. É o funcionamento normal de um sistema que combina patriarcado, racismo e seletividade penal
Em primeiro lugar, partimos da premissa de que a presença de crianças e adolescentes nas plataformas digitais integra a vida social. Nesse cenário, a regulação não pode limitar-se à repressão de conteúdos ilícitos ou à responsabilização difusa das famílias; o desafio consiste em reorganizar incentivos e incorporar a proteção desde a arquitetura dos sistemas
Há princípios que deveriam permanecer inegociáveis, mesmo em tempos de guerra: não se atacam crianças. Não se bombardeiam escolas. Hospitais não são alvos. Combatentes feridos têm direito a tratamento médico. Jornalistas devem poder circular com segurança para cumprir seu trabalho
Em um país marcado por profundas disparidades sociais, muitas crianças crescem em contextos de pobreza, insegurança alimentar e exposição à violência
A educação domiciliar, ao restringir o convívio social, representa um retrocesso significativo na inclusão educacional
O investimento social não apenas transforma a vida de quem participa, mas também movimenta a economia local, cria empregos, dinamiza cadeias culturais e forma novos agentes sociais
A regulamentação das redes sociais para proteger infâncias e adolescências ganhou força. Mas, é urgente pensar em espaços de acolhimento e formação para agentes municipais, referências comunitárias e famílias que atuam com juventudes às margens dessa discussão
Assim como práticas antirracistas que, por serem improvisadas, informais e realizadas em espaços de convívio doméstico — muitas vezes em resposta às vivências cotidianas das crianças — costumam não ser registradas pelas análises sociológicas dos movimentos sociais, seria possível pensar que também existam, no Brasil, atitudes semelhantes voltadas à prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes? Seriam essas práticas, transmitidas entre gerações, portadoras de uma resistência invisível — de uma potência silenciosa?