Entre paredes cinzentas, a vida insiste
Em todo o Líbano, milhares de pessoas vivem em condições semelhantes, como em escolas, tendas, construções inacabadas. A vida cotidiana é atravessada pela incerteza e pela ausência de garantias básicas

Em todo o Líbano, milhares de pessoas vivem em condições semelhantes, como em escolas, tendas, construções inacabadas. A vida cotidiana é atravessada pela incerteza e pela ausência de garantias básicas
Poderia ser o enredo de um filme de espionagem. Serviços secretos armam dispositivos de comunicação que explodem simultaneamente. Só que a realidade alcançou a ficção no Líbano, onde membros do Hezbollah perderam a vida nesses ataques aparentemente concebidos por Israel. O evento ameaça arrastar o País dos Cedros para uma nova guerra contra seu poderoso vizinho
Responder aos bombardeios do Exército de Tel Aviv contra a população civil libanesa atingindo localidades israelenses até então poupadas pelos tiros de suas tropas. Essa ameaça recorrente de Hassan Nasrallah, o chefe do Hezbollah, dá a medida do aumento das tensões no País dos Cedros. A população, por sua vez, oscila entre o apoio aos palestinos e a rejeição de uma nova guerra
O que falta neste verão libanês é o Presidente da República. Ministros interinos, cargos vagos, país sem timoneiro em uma tempestade econômica, financeira, política e moral no mar da história
Desde meados da década de 1960, o Cemitério dos Mártires da Revolução, não muito longe do campo de refugiados palestinos de Chatila, em Beirute, abriga os restos mortais de figuras nacionais palestinas e de militantes internacionalistas que vieram apoiar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP)
Em 15 de maio, os libaneses vão às urnas escolher os 128 membros da Câmara dos Deputados. A eleição chega em um contexto de grave crise financeira, colapso social e ressurgimento de tensões políticas e religiosas. Apesar das dificuldades, organizações da sociedade civil e intelectuais se mobilizam para preservar e digitalizar o patrimônio nacional
Ao instar fortemente a classe política libanesa a providenciar um novo governo capaz de realizar reformas, o presidente francês, Emmanuel Macron, perpetua a tradição de ingerência das grandes potências nos assuntos internos do Líbano. Mas nem assim as elites políticas locais conseguem construir um Estado sólido, capaz de responder aos desafios econômicos e sociais do país.
As eleições legislativas realizadas no Líbano no dia 6 de maio consagraram o campo pró-Hezbollah. Apresentadas à margem das grandes formações, as listas pluralistas da sociedade civil não tiveram o resultado que suas diversas mobilizações ambientalistas permitiam imaginar. O problema da coleta e do tratamento de lixo permanece
O envolvimento militar direto na Síria permitiu a Putin alcançar um sucesso inesperado. Mais capaz que os Estados Unidos de fazer os jihadistas recuarem, a Rússia se impôs no Oriente Médio como um ator determinante, ditando a ordem do dia. Por outro lado, a iniciativa de intervir na Batalha de AlepoJacques Lévesque
Devastadoras, as guerras no Iraque e na Síria implicam cada vez mais as potências estrangeiras. Após hesitar por muito tempo, Washington finalmente deu sinal verde para o Exército iraquiano e seus aliados retomarem o controle de Mossul, grande cidade do país comandada pela Organização do Estado Islâmico desde 2014Akram Belkaïd
Graças ao apoio dos bombardeiros russos, de consultores iranianos e combatentes xiitas libaneses, o Exército sírio recuperou terreno antes do cessar-fogo de fevereiro. Ao apoiar com firmeza o presidente Al-Assad, o Hezbollah viu sua legitimidade consolidada. Mas a ameaça do Estado Islâmico não basta para afastar o riscMarie Kostrz
Os governos ocidentais fingem que descobriram a amplitude do caos sírio apenas com o recente afluxo de refugiados. Apenas uma ínfima minoria dos sírios consegue chegar à Europa ao fim de uma viagem perigosa. No mais das vezes, eles encontraram refúgio em outra região de seu país, na Turquia, no Líbano ou na JordâniaHana Jaber