A queda de um ditador e o risco de um mundo sem limites
Quem tem o direito de derrubar governos?

Quem tem o direito de derrubar governos?
Preocupada em garantir o fornecimento de petróleo durante a guerra na Ucrânia, a Casa Branca enviou no início de março uma equipe a Caracas, cujas autoridades Washington nem sequer conhecia. Após semearem o caos no país por meio de sanções, os Estados Unidos estimam que talvez a Venezuela tenha mudado suficientemente a ponto de lhes ser novamente útil
A ofensiva de Washington contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, está apoiada no consentimento dos dirigentes conservadores da região, cada mais majoritários. Graças a eles, o intervencionismo norte-americano pôde maquiar-se com uma preocupação humanitária
O premiado repórter da The New Yorker discorda de quem chama Nicolás Maduro de ditador e ouviu Guaidó declarar-se um “social-democrata” e fã de Bernie Sanders
No país de Saddam, lançaram toneladas de bombas explosivas e mortais. Ao mesmo tempo, e como complemento de um ataque sincronizado, despejaram sobre nossas cabeças toneladas de bombas ideológicas, que nos fizeram pensar apenas no “risco Saddam”, na “ausência de democracia” no Iraque e em “direitos humanos”.
O governo reitera que o apagão no setor elétrico foi consequência de um ataque cibernético externo e sabotagem interna
Golpe de Estado, locaute, boicote das eleições… A ala radical da oposição venezuelana tentou de tudo para derrubar Hugo Chávez e depois Nicolás Maduro. Agora que o caos social e político a favorece, ela sabotou as tentativas de diálogo com o poder em 2018 e conta cada vez mais com uma intervenção norte-americana para atingir seus objetivos
Há alguns anos, o cáustico Elliott Abrams amava apresentar-se como um velho sábio, um expert em diplomacia sempre preocupado em dar sua opinião informada. Encarregado por Donald Trump de “restaurar a democracia na Venezuela”, ele voltou aos negócios. Olhando sua ficha, os habitantes que vivem onde será sua missão podem começar a se preocupar…
Paris voltou a se pôr a reboque da Casa Branca e deu seu aval ao que, aparentemente, não passa de um golpe de Estado
Sem dúvida, a queda do preço do petróleo causou uma perda de receitas para o Estado venezuelano, mas apenas isso não explica a crise que o país enfrenta
A impressão que fica é que o abandono das populações de ambos os lados por parte dos governantes pode ser intencional e orquestrado para explodir em outubro na mídia nacional, de forma a mostrar a todos o que acontece com os tolos que votam em projetos da esquerda
Profunda, sangrenta, a crise Venezuela apaixona. Na mídia grande, ela serve a uma obsessão: criticar Jean-Luc Mélenchon na França, Jeremy Corbyn no Reino Unido e Pablo Iglesias na Espanha. Mas a crise interpela também os progressistas, mergulhados na desordem. Como interpretar os acontecimentos? O que fazer? Qual será o resultado?